Fim de mandato

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Estamos em fim de mandato. A impressão é mesmo de paralisia em muitos serviços municipais. A poucos dias de transferir o cargo para o tucano João Doria, a gestão petista de Fernando Haddad entra num estado de letargia.

Quem procura o atendimento de saúde da AMA 24h do Hospital Sorocabana, por exemplo, espera em média três horas se tiver sorte, segundo uma funcionária que estava no plantão do final da tarde no último sábado. O quadro se torna mais grave quando o sistema de atendimento conta com uma sala especial para a triagem, ou seja, um atendimento inicial para medir pressão arterial e colher informações dos sintomas que levaram o paciente até ali. Sim, paciente, pois é preciso ter muita paciência e rezar para que não seja uma doença de fácil transmissão.

Uma jovem falava incansavelmente de sua suspeita de caxumba. Ela passou pela triagem (sala 1), mas voltou para a sala de espera reclamando de muitas dores. A pior era no pescoço. Claro que poderiam ser outros problemas, mas a prevenção deveria ser uma preocupação de quem presta o atendimento.

O atendimento de saúde deveria ser modelo por estar dentro de um equipamento em uma área estruturada como a Lapa, de fácil acesso a moradores de vários bairros da região Oeste e Norte e também de outras cidades da região Metropolitana, mas quem passa pelo serviço reclama. No sábado, três funcionários (da entidade Associação Saúde da Família contratada pela prefeitura para prestar o serviço) conversavam (na sala de triagem) enquanto pessoas com dores aguardavam o atendimento. Quem tenta uma consulta para saber a origem de uma dor de cabeça pode sair com dois problemas: a dor que entrou e mais uma caxumba, quem sabe!

A Secretaria Municipal da Saúde foi questionada pelo Jornal da Gente, dia 7 (quarta-feira) sobre o problema, mas apenas informou (no mesmo dia), por meio da Coordenadoria Regional de Saúde Oeste, que estava averiguando o ocorrido, mas até o fechamento desta edição (sexta-feira), não retornou.

Quase no apagar das luzes, o encontro do Conselho Participativo Municipal na quinta-feira contou com a presença de 17 dos 36 eleitos para a gestão 2016/2017. Por causa de faltas, a permanência de oito conselheiros foi colocada em votação. Alguns nunca compareceram às reuniões. Desses oito, dois tiveram aprovada a permanência e seis receberam votos para não permanência, além da conselheira Valéria Gaspar, que teve a exclusão do conselho aprovada por descumprir o regimento interno, mas ela ainda terá direito a recurso.
As reuniões se esvaziaram. Esvaziaram também as abordagens e operações de zeladoria comandadas pela Subprefeitura Lapa, com Guarda Civil, Saúde e Assistência Social aos locais de concentração de moradores de rua. Entra semana, sai semana, o número de barracas de moradores de rua só aumenta na região do entorno da Ceagesp, na Leopoldina, principalmente no canteiro Central da Avenida Gastão Vidigal. E, até os moradores de rua reclamam da ausência de assistência. Fim de mandato não podia ser assim, afinal o contribuinte continua pagando seus impostos para bancar os serviços municipais e o salário do prefeito e seus assessores.

A transição do governo petista de Fernando Haddad para o tucano João Doria parece tranquila no gabinete central da Prefeitura, mas é no bairro que as coisas acontecem e o futuro prefeito regional da Lapa, Carlos Fernandes, se prepara para receber a herança em janeiro.

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