Doria inaugura CTA com necessidade de reparos

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Foto: Bárbara Dantine

Bárbara Dantine
Centro Temporário de Acolhimento da Lapa de Baixo é o oitavo da gestão

O prefeito João Doria inaugurou na segunda-feira (30) o oitavo Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua da cidade na Rua Capitão José Inácio do Rosário, na Lapa de Baixo. O evento contou com a presença de Filipe Sabará, secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Cláudio Carvalho, novo secretário das Prefeituras Regionais e secretário de Investimento Social, Marinalva Cruz, secretária adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, dos prefeitos regionais da Lapa e Butantã, Carlos Fernandes e Paulo Vitor Sapienza, do deputado estadual Marcos Zerbini e do vereador Fabio Riva.

O espaço conta com 200 vagas para acolher pessoas em situação de rua, sendo 40 femininas e 160 masculinas, além de outras 50 vagas de convivência durante o dia. Os usuários também poderão contar com quadra esportiva, cozinha, canil e máquinas de lavar roupa. Segundo Doria, a prefeitura não gastou nada para a instalação do CTA, e todo o investimento foi realizado por parceiros da iniciativa privada. “Não teve dinheiro público, só de empresas privadas, solidárias, sem nenhuma contrapartida”, afirma. Entre os colaboradores está Souza Cruz, XP Investimentos, AOC, Unilever, P&G e Casas Bahia. “Política social é fazer, o fácil é dizer que não dá, que e difícil, que não tem orçamento. Aqui nos mudamos, invertemos essa máxima de que não tem dinheiro, mas estamos fazendo. Não tinha nenhum CTA, nós inauguramos com esse aqui oito, em menos de 10 meses, vamos chegar até 18”, afirma o prefeito.  Questionado sobre segurança, Doria diz ser importante que a população não assimile atitudes violentas à população de rua. “É preciso ter um sentimento humanitário. Não pode rejeitar um espaço dedicado a pessoas pobres, humildes, que estão na rua. Pessoas em situação de rua não são perigosas, não oferecem risco à sociedade. Precisa desmistificar isso, precisa acolhê-las”, diz.

Bárbara Dantine
Dormitório e kits doados para usuários

Carlos Fernandes ofereceu o terreno para o CTA onde antes funcionava uma garagem de veículos da Prefeitura. Segundo o prefeito regional, o terreno estava subutilizado. “Isso é a demonstração do fim do estado patrimonialista, que precisa ter patrimônio inútil. Sou latifundiário de uma área de 25 mil m². Essa área estava parada, era um depósito de carros da Prefeitura que não funcionavam mais e pode ser muito útil para a sociedade. Esse equipamento é fundamental para tirar as pessoas da rua, pessoas menos favorecidas, que estão em crise na rua. A gente vai recuperar. Tem que ter solidariedade. E mais do que isso, na ponta desse terreno vamos construir uma UBS junto com empresários locais e com emendas parlamentares”, diz. Filipe Sabará afirmou que a população em situação de rua é prioridade do prefeito e acrescenta que na Lapa e Vila Leopoldina a demanda é grande e não era atendida. Informou também que a ONG que administrará o local é a Ascom, responsável também pelo Seas Lapa (Serviço Especializado de Abordagem Social).

Com a saída de Doria do local, poucos repararam na inspeção feita por Cleide Leonel Amaro Mendes, supervisora de assistência social da região da Lapa. Ela verificava os canais de escoamento de água do CTA, que mesmo antes da inauguração estavam com folhas e pedras. Ela também apontou que para o número de pessoas que vão utilizar o equipamento, talvez seja necessário adquirir mais um fogão, além de finalizar as instalações elétricas. O prefeito anunciou a abertura do CTA ao público para o dia 6 de novembro, porém Cleide afirma que ainda precisa definir a equipe que trabalhará no local. Ela acredita que o funcionamento será posterior, em cerca de 10 dias após o anunciado por Doria. Ela afirma que o aparelho será positivo para o público feminino.  “Acredito que a gente tenha um número de moradores, principalmente mulheres que a gente não tem equipamento na região. Isso vai ser bem interessante porque muitas mulheres são abordadas, mas por ter que sair da região que estão, não aceitam o acolhimento”, explica.

Ao ser questionada, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informa que as vagas do CTA Lapa serão prioritárias aos moradores do território, principalmente os que vivem nos arredores da Ceagesp. Afirma também que o Serviço Especializado de Abordagem Social da região também irá intensificar suas ações, informando aos moradores em situação de rua sobre a implementação do novo equipamento e encaminhando os que se interessarem para as novas vagas de acolhimento.

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