Bem comum

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Foi muito bonito ver a inauguração da casa na árvore da Emei Dona Leopoldina, realizada no sábado (11). Não só pela alegria e empolgação das crianças, que concretizaram um sonho de dois anos, mas principalmente pelo fato de perceber que é possível realizar coisas muito boas quando uma comunidade é unida. A construção só foi possível porque a equipe da escola, pais de alunos e o Museu da Casa Brasileira juntaram esforços para viabilizar o projeto. O arquiteto Fred Teixeira criou o modelo da casa, inspirado nos desenhos das próprias crianças. A escola realizou, com ajuda dos pais, festas e eventos nos últimos dois anos para arrecadar o dinheiro para a compra dos materiais necessários. O avô de duas alunas dedicou o seu tempo e o da equipe da sua empresa para colocar a mão na massa e construir mais do que uma estrutura de madeira, um sonho. Nenhum recurso da Prefeitura foi utilizado em todo esse processo. As dificuldades financeiras ou de organização muitas vezes atrasam um projeto, mas é evidente que quando todos remam em uma mesma direção, é possível fazer acontecer.

Esse espírito de união talvez esteja em falta em outros grupos, entidades e conselhos da região. Mesmo que em sua origem esses grupos sejam formados para discutir e agir em prol de uma causa comum, esse objetivo muitas vezes se perde diante de discussões secundárias, regimentais ou ainda por causa de visões políticas diferentes. A reunião de zeladoria da Prefeitura Regional da Lapa é talvez um dos poucos espaços onde todos estão verdadeiramente juntos, pela melhoria e necessidade de serviços na região. É preocupante ver os encontros em um processo de esvaziamento, com poucos participantes, enquanto que nos últimos anos não era raro ver o auditório da regional com cerca de 40 pessoas.

Essa semana, o fato da reunião ter sido realizada no período entre feriados, e não na primeira quinta-feira do mês como tradicionalmente é, pode ter sido motivo de impacto, assim como a proximidade do final do ano, período onde a participação em todas as atividades costuma diminuir. A Prefeitura quer a adesão ao aplicativo SP156, de zeladoria, por parte dos munícipes, o que pode ser bem positivo se culminar de fato em respostas e soluções mais rápidas para os problemas. Mas perder o contato pessoal, conhecer quem são as pessoas de cada entidade ou conselho, o que pensam, os dramas comuns em cada bairro, também é prejudicial.

Se a Prefeitura Regional estiver disposta a manter os encontros, que aparentemente só acontecem na região da Lapa, é importante que os moradores participem e se unam para lutar por um bem comum. Podem e devem usar o aplicativo também, mas conhecer as pessoas que vão remar ao seu lado pode fazer toda a diferença na construção de uma comunidade melhor.

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