Caminhar com segurança

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Uma das melhores formas de conhecer uma cidade ou bairro é caminhar por ele. Quando estamos no carro, muitas vezes as curiosidades e encantos passam batidos, já que temos que prestar atenção no nada fácil trânsito. Quem tem a possibilidade de ir a pé ao trabalho, escola, curso ou qualquer outra atividade, pode aproveitar uma observação maior dos detalhes da paisagem urbana, as mudanças que acontecem e a natureza que resiste na selva de pedra. Mas andar por aí nem sempre é tarefa fácil. Buracos, desníveis, calçadas quebradas e falta de sinalização dificultam muito a vida dos pedestres. E se essa pessoa em questão for idosa, estiver com um carrinho de bebê ou tiver a mobilidade reduzida, nem se fala.

Muitas são as campanhas que pedem aos cidadãos para que deixem o carro em casa, o que de fato é muito bom, tanto para a saúde das pessoas como para o meio ambiente. Mas como fazer isso nas regiões da Pompeia e Perdizes, por exemplo? Não bastasse o relevo naturalmente acidentado, os obstáculos parecem se multiplicar, transformando um percurso de três quarteirões em um circuito de academia.

A Prefeitura aposta fortemente nas ações do programa Cidade Linda e Calçada Nova, que têm entre seus objetivos revitalizar os passeios e promover a acessibilidade. Mas os trabalhos de zeladoria e manutenção são eternos, porque sempre existirá uma raiz de árvore que levantará a calçada, ou uma guia que será danificada após um acidente de carro. Acontece. A Prefeitura precisa por em prática seu Plano de Mobilidade Urbana para conseguir conquistar resultados mais duradouros, com padronização das reformas e melhorias na qualidade de vida dos munícipes, especialmente os que têm dificuldades de locomoção. Se isso não for feito, as ações vão continuar sendo “tapa-buracos”, não no sentido literal, mas de solução provisória.

Outro problema relacionado ao ato de andar a pé é a falta de segurança. Há lugares que infelizmente devem ser evitados em determinados horários se você não quiser ser assaltado. A Toca da Onça foi diversas vezes um deles. Pessoas relatam ter sido cercadas no túnel pelas duas saídas, sem possibilidade de fugir do crime. A passagem também foi palco para uma troca de tiros e morte em abril deste ano. Com a revitalização da Toca, vamos torcer para que quem estiver por lá possa se dar o prazer de admirar as imagens nas paredes, ao invés de manter a atenção nos suspeitos ao redor.

Os vídeos que foram divulgados do 91º DP sendo invadido por fortes chuvas também são preocupantes. Apesar da Secretaria de Segurança afirmar que o caso foi pontual, as necessidades estruturais e de pessoal da polícia vêm de longa data. Vivemos em um país com uma das maiores arrecadações tributárias do mundo, então ter qualidade e segurança para andar por aí não é pedir muito.

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