Poder de representação

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Pensar na origem das associações de bairro remonta ao motivo fundamental que leva a um agrupamento de pessoas: uma causa comum. Basta existir um interesse compartilhado para que um grupo se una em prol de sua defesa. No caso das associações de bairro, essa motivação é bem simples, os moradores querem o melhor para a região em que vivem. Mas hoje o poder dessas entidades vai além de apenas promover o encontro de pessoas e realizar confraternizações.

Uma associação de bairro pode chancelar um movimento do poder executivo, ou seja, independente da quantidade de associados, pode validar uma ação política. As pessoas, complexas como são, têm interesses pelo seu bairro, gostos pessoais, culturais e, claro, políticos. É complicado criar um movimento de representação de um bairro pautado em interesses partidários, afinal nem todo vizinho compartilha da mesma visão política que a sua.

Em grandes comunidades é preciso que a democracia prevaleça no sentido de que seja feito aquilo que é melhor para a maioria, de uma forma que respeite os grupos dissonantes quando isso for possível. O caso do CTA (Centro Temporário de Acolhimento) da Lapa é ainda uma pedra no sapato dos moradores da Lapa de Baixo. Todos concordam que, como política pública, devem existir equipamentos para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade social e que é benéfico um programa que dá uma perspectiva de vida para esses cidadãos. Porém, será que é justo perder a liberdade de ir e vir e viver em um estado de constante vigilância por medo de abordagens agressivas? Para o entendimento da Prefeitura, a comunidade estava de acordo com a instalação do equipamento, representada pela associação de amigos do bairro.

Ninguém além do estado é culpado pela desigualdade social que existe, mas todos convivemos com as consequências dessa falta de políticas sociais histórica que, se pensadas de forma preventiva, poderiam reduzir a violência contra os cidadãos, sejam aqueles que temem por sua vida e patrimônio, ou aqueles que vivem diariamente a violência de ter sua condição humana desrespeitada ao não ter um emprego, educação, saúde ou um lugar para morar.

O fato é que o problema existe e deve ser resolvido para todas as partes envolvidas. O governo deve criar os mecanismos de inclusão e a população deve se manifestar quando sua qualidade de vida for afetada.

As associações têm o poder de unir as pessoas e devem ser utilizadas como mecanismo de representação. Assim como é importante conhecer seus vizinhos e o que acontece no bairro, é também muito válido conhecer as associações que podem lutar pelos assuntos do seu interesse. Sempre de forma política, nunca partidária.

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