Nós e eles?

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É clara a divisão que existe hoje no País. Todas as discussões sociais e políticas tendem para um formato binário, com lados inconciliáveis e, principalmente, mais preocupados em apontar culpados e falhas na opinião oposta do que encontrar soluções.

Isso pode ser visto no panorama nacional de uma forma que já existia, mas que se torna cada vez mais acirrada. A oposição apenas pela oposição, somada à crise econômica, política descarada de troca de favores, proliferação de fake news e acúmulo de déficit social não podia resultar em algo diferente dos que os tempos conturbados que vivemos. É difícil encontrar sentido na defesa de um sistema menos democrático do que aquele que temos hoje ou no discurso ultrapassado da eterna luta de classes, mas vemos pessoas que levantam essas bandeiras em nosso círculo social, e quem quer defendê-las em cargos do legislativo e executivo.

Nos conselhos locais, de equipamentos e entidades, também é possível ver essa divisão, com pessoas mais dispostas a implicar umas com as outras do que trabalhar para de fato construir algo. Não podemos generalizar e dizer que todos são assim, mas é evidente que os que mais se manifestam o são.

Audiências públicas são um dos locais onde isso fica bastante visível, como as que tivemos recentemente sobre a reabertura do Hospital Sorocabana e do PIU Leopoldina. Esse tipo de reunião é um instrumento muito importante para garantir a participação da sociedade nos processos de gestão ou transformação da cidade, mas é preciso um pouco de organização para que as manifestações não sejam repetitivas, que os órgãos responsáveis possam dar devolutivas e que as falas não caiam em um discurso do “nós contra eles”, com direito à torcida para ambos os lados e, frequentemente, pouco embasamento.

Não existem lados quando se discute política na cidade ou região. Preferências ideológicas à parte, estamos todos no mesmo barco. O que afetar alguém de forma negativa, de um jeito ou de outro, vai nos afetar também. Precisamos qualificar os debates, seja ampliando o acesso à informação ou elegendo líderes que nos representem para defender as questões de nosso interesse. Racionalidade, construção e união devem ser os pilares para a vida em sociedade, para assim conseguirmos resultados mais duradouros, e, neste ano de eleição, mais representação. Afinal, nada é tão ruim que não possa piorar. Não podemos, enquanto população, ficar uns contra os outros.

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