Peça da década de 30 aborda questões atuais

0
601

Foto: Ronaldo Gutierrez

Ronaldo Gutierrez
Dinheiro, poder e afeto são temas de “A Milionária”

Com estreia neste final de semana no Teatro Cacilda Becker, o espetáculo “A Milionária” fica em cartaz com apresentações gratuitas até 26 de agosto. A peça escrita pelo irlandês Bernard Shaw aborda com muito humor questões ligadas ao poder e dinheiro. Epifânia é uma das mulheres mais ricas da Europa, que se reúne com seu advogado para discutir a possibilidade de seu provável suicídio e com quem deve ficar a sua fortuna.

Escrito em meados dos anos 1930, o texto de Shaw traz temas muito atuais como explica o diretor Thiago Ledier. “Uma das coisas mais contemporâneas que tem nesse texto é a questão da sobre a concentração de renda, que no Brasil é histórica e no mundo, em 2018, é algo que está cada vez mais à frente das coisas, e ele trata isso com muito humor, com muita leveza, como esse grande capital é um trator e cada vez acumula mais em detrimento de tudo o que está ao seu redor, sem perceber a devastação que vai causando. E tem também a questão de que o dinheiro não traz tudo, como por exemplo o afeto, que permeia a história de Epifânia, essa falta de afeto genuíno, de alguém que não esteja interessado no poder que o dinheiro dela pode proporcionar”, afirma.

O ator e produtor Sergio Mastropasqua fala da importância de fomentar a cultura. “Fazer a peça em um teatro público e de forma gratuita eu acho que é fundamental. Se a gente ganhou um edital, e há muita controvérsia sobre gratuidade ou não, mas não é de graça. O contribuinte pagou seus impostos . É uma política pública”, diz. “E em um momento de crise, que as pessoas estão com menos dinheiro, e grande parcela da população não tem condição de assistir o que quer que seja, a gratuidade é um estímulo para que as pessoas compareçam, venham festejar com a gente, porque o teatro só acontece com a presença das pessoas”, completa Thiago Ledier.

Chris Couto, que interpreta Epifânia, fala um pouco da construção da personagem. “A Epifânia é uma milionária e ela tem esse raciocínio matemático, de que as coisas tem seu valor. Shaw escreve com muito humor, principalmente sobre algo que a gente tem muito pudor de falar que é o dinheiro. Nessa peça tudo tem um valor e uma pessoa como ela (Epifânia) chega no lugar e muda toda a situação, as pessoas não percebem que viram outras, com um amortecimento que a gente fica quando as pessoas são muito poderosas e acabam dominando”, declara.

Além de Sérgio Mastropasqua e Chris Couto, estão no elenco Cy Teixeira, Priscilla Olyva, Alexandre Meirelles, Caetano O’Maihlan, Guilherme Gorski, Luti Angelelli e Thiago Carreira. O projeto foi selecionado pela 6ª Edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo e tem o patrocínio da Secretaria Municipal da Cultura.  As apresentações acontecem nas sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h. O Teatro Cacilda Becker fica na Rua Tito, 295.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA