Manifestantes pedem saída de coordenadora do Tendal

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Foto: Bárbara Dantine

Bárbara Dantine
Grupos criticam perda de espaço para realizar atividades dentro do centro cultural

Grupos que por muitos anos realizam atividades no Tendal da Lapa realizaram uma manifestação na quinta-feira (9) na frente do centro cultural. Os manifestantes portavam cartazes com pedidos pela saída da coordenadora Bel Toledo e interditaram as duas vias destinadas aos carros da Rua Guaicurus, deixando  o corredor de ônibus livre. Os grupos reclamam da perda de espaço para realizar as atividades no Tendal e da falta de diálogo por parte da administração. Bel Toledo deve se reunir com uma comissão formada por oficineiros e vizinhos do entorno para discutir os pontos de conflitos na próxima segunda-feira (13).

Em resposta à matéria publicada na edição passada do JG (Edição 825 – de 4 a 10 de agosto), Bel Toledo afirma que já atendeu a solicitação que em dia de eventos, a entrada do público se dará pela Rua do Curtume e Guaicurus , sendo que na Rua Constança será feito somente o acesso ao estacionamento pelos membros da produção.

Bel Toledo explica que a alocação de oficinas do Tendal em outros equipamentos da região é prevista para o período de obras no espaço. “Realizamos uma reunião com todos os grupos usuários do espaço no início de junho, relatando sobre a reforma e especificando que, diferente de outras gestões, não iríamos fechar o Tendal da Lapa durante a reforma , mas sim alocar para outros espaços. Nesses últimos  dois meses buscamos parceiros, o Pelezão , Prefeitura Regional com auditório, sala Cecília Meireles e o Teatro Cacilda Becker. Vários  grupos e várias oficinas foram  alocadas, como  coral da USP, meditação, as capoeiras, tai chi chuan, dança cigana, entre outros . Mesmo  que a obra ainda não tenha começado,  o  início  é iminente, e por uma questão  óbvia não vamos mudar os locais no meio do processo. Nossas oficinas tem duração de três meses  e as pessoas  que vieram fazer as inscrições (mais  de 800) tinham que ser informadas do novo local  para fazerem a matrícula cientes do novo espaço e se organizarem para tanto. Não  teria sentido no meio do processo  trocar de endereço acarretando mais transtornos”, diz .

Com relação ao impedimento do uso do espaço pelo Grupo Guerreiros do Brasil Capoeira (GGBC), a coordenadora do Tendal explica o acionamento da GCM. “O Grupo da Capoeira – GGBC resolveu não acatar a reorganização alegando “perseguição”, o que não aconteceu com nenhum outro grupo, todos acataram, inclusive a capoeira do Mestre Nenê. Todos concordaram e foram proativos entendendo a necessidade da reforma”, diz. Bel Toledo afirma que a administração se sentiu ameaçada diante da presença de inúmeros componentes do grupo e por isso solicitou apoio da GCM. “O grupo de capoeira GGBC foi alocado para o Pelezão, mas mantém as oficinas infantis aos sábados pela manhã, atendendo 30 crianças. Não existe nenhuma perseguição, fizemos uma reorganização levando em consideração também  atividades  sonoras  que tem  que ser compartilhadas.Foram medidas  administrativas  para  possibilitar o  funcionamento  das atividades durante  a reforma, medidas que devem ser respeitadas pelos usuários”, afirma Bel Toledo .

Sobre o evento realizado no mesmo dia em que o grupo de capoeira não pode utilizar o espaço, com fotos que indicam o consumo de álcool e drogas dentro do Tendal, a coordenadora afirma que a programação veio da Secretaria Municipal de Cultura. “Na quinta-feira (2) recebemos a programação mensal que a secretaria nos envia através do circuito, elaborada pela curadoria da SMC. Esse mês fomos contemplados com apresentação do Black Alien, não foi uma festa  e sim uma apresentação musical pautada pela  própria  Secretaria  de Cultura. Também tivemos  o comparecimento  de  food trucks, credenciados,  que  participaram do edital de funcionamento da SMC  e que comercializa os itens autorizado pelo edital, que agora está presente em todas as atividades  do Tendal , bem como em todas os centros culturais da prefeitura. O uso de drogas, como  define a legislação vigente, é proibido,  e a repressão  cabe  aos órgãos  competentes. O Tendal da Lapa obviamente segue a legislação em vigor e, no caso de flagrante de uso de drogas, a polícia militar deve ser acionada por qualquer cidadão,  e assim o fazemos diante de qualquer desrespeito a legislação”, completa .

No sábado (11), às 16h, os manifestantes pretendem realizar um abraço coletivo no Tendal, para destacar sua importância como equipamento cultural da Lapa e pedir que seja mantido seu caráter diversificado.

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