Desenvolvimento

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Frequentemente falamos do desafio que é administrar a cidade ou mesmo a nossa própria região, com seus 40 km² e mais de 300 mil habitantes, sem contar o grande fluxo de pessoas que trabalham aqui ou participam de eventos semanais que são realizados no eixo que passa pelo Allianz Parque e casas de shows próximas.

Neste não tão pequeno universo as demandas são as mais variadas, como a reabertura do Hospital Sorocabana, do Parque Leopoldina Orlando Villas-Bôas, obras de acessibilidade e serviços de zeladoria.

Estão em andamento na cidade, e especialmente na Zona Oeste, discussões sobre desenvolvimento urbano que vão transformar completamente algumas áreas. É muito benéfico pensar em desenvolvimento, novos empreendimentos, geração de emprego e dinheiro na região, mas, ao mesmo tempo em que se estruturam planos para bairros melhores, diversos e sustentáveis, é preciso lembrar que muitas pessoas não têm o mínimo necessário para uma vida digna, com acesso a moradia, saúde, educação, entre outros direitos previstos na Constituição.

As comunidades próximas ao Ceagesp veem com bons olhos o PIU Leopoldina, que poderá ser uma oportunidade de ter uma moradia bem estruturada, mas a saída da Ceagesp não será nada fácil. E ao analisar outros instrumentos de transformação, como a Operação Urbana Consorciada Água Branca, vemos o quão complicado é executar planos que na teoria são bons, mas na prática requerem muito trabalho e recursos. Pessoas aguardam há décadas moradias previstas pela operação mas, até agora, a única coisa feita do projeto, de forma parcial, foram as obras de drenagem que também eram necessárias, mas curiosamente foram implementadas no trecho que beneficia principalmente grandes empreendimentos comerciais.

E essa semana foi anunciado que as obras da ponte que vai ligar Pirituba à Lapa, outra demanda antiga, serão iniciadas esse mês, com recursos que não são os da OUCAB. Independente da importância da ponte para motoristas, ciclistas ou usuários do transporte público, parece que habitação sempre vai para o final da fila de prioridades.

É importante resolver o problema da habitação na cidade. Ter um lugar para morar é o básico para que os cidadãos tenham estrutura para trabalhar e consumir. Esse é o desenvolvimento que a cidade precisa. Projetos que prometem melhorias sociais e não as cumprem por diversas dificuldades não podem iludir as pessoas. Como disse Rui Barbosa, justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. É fundamental ter profissionais pensando na reestruturação da cidade e melhorias urbanas, mas isso deve ser feito na mesma medida em que se resolvem as questões básicas.

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