Entre os grandes problemas ainda mal resolvidos da cidade de São Paulo, a questão da coleta e descarte sustentável do lixo é, sem dúvida, uma das que mais preocupa a todos nós paulistanos. Afinal, somamos, hoje, mais de 11 milhões de habitantes e, juntos, produzimos diariamente cerca de 10 mil toneladas de lixo domiciliar, que precisam ser devidamente descartados pela população e recolhidos e destinadas de forma adequada pelas empresas que detém a concessão do serviço na cidade.
Aqui na região da Lapa, a Loga, concessionária que administra a coleta domiciliar na zona Noroeste da capital, intensificou, em parceria com a Prefeitura, a chamada coleta mecanizada nas ruas da Vila Romana e Jaguaré. O sistema, dito mais eficiente e limpo, pressupõe que cada morador vá até um dos containeres, colocados em locais definidos de acordo com o volume de resíduo gerado em cada área, e deposite ali seus sacos de lixo, que são recolhidos pela Loga por caminhões modernos, equipados, inclusive, com sistema de limpeza.
A ideia, a princípio, parece interessante. Com esse novo sistema, evita-se dois problemas crônicos em relação à coleta domiciliar: a obrigatoriedade de o munícipe depositar seu lixo na porta de casa em horário determinado – próximo à passagem dos caminhões – e o fato de os moradores de rua abrirem os sacos e espalharem detritos pelas ruas e calçadas mesmo poucos instantes antes de o veículo de coleta aparecer.
O lado negativo, para o qual alguns moradores de nossa região estão alertando, é que, em muitos casos, os containers já instalados aqui ficam longe de suas casas e, por isso, eles precisam sair com os sacos de lixo na mão para fazer o descarte. Chegando até onde está o container, há uma outra questão: os recipientes são altos, com uma tampa enorme, e apesar de terem pedais para abertura, algumas pessoas não conseguem fazer o movimento com os pés, por serem idosos, e não alcançam ou não têm força suficiente para abrir a tampa. Sem alternativa, esses moradores acabam deixando os sacos de lixo ao lado dos containers, piorando ao invés de melhorar o sistema de coleta.
Em uma cidade do tamanho da nossa, pensar em alternativas para a modernização do esquema de recolhimento de lixo domiciliar é algo muito necessário. Mas devido à expansão desordenada de nossa área urbana e dos fatores limitantes de parte considerável de nossa população, tais alternativas precisam ser extremamente bem planejadas e executadas. Se não for assim, como diz o velho ditado, “a emenda”, certamente, “sairá pior que o soneto”.






























