Pesquisando um pouco mais sobre o Carnaval em nossa região, descobri que a Lapa sempre foi um bairro com forte tradição carnavalesca. Desde o início do século XX se tem registros de desfiles de cordões e blocos de rua acontecendo por aqui nos dias de folia.
Lá pelos idos de 1916, os pierrôs e colombinas de outrora, munidos de muito confete, serpentina e lança perfume, saíam pelo Largo da Lapa acompanhando os carros alegóricos do antigo Club Carnavalesco Lapeano e cantando marchinhas que satirizavam a política local. Os registros históricos apontam que o famoso clube teve como um de seus fundadores José Ferreira, operário da São Paulo Railway e pai de um lapeano ilustre, nosso querido Décio Ferreira, que por anos presidiu a Sociedade Amigos de Bairro da Lapa de Baixo.
Amante do Carnaval, Décio teve papel fundamental na tradição carnavalesca do bairro. Foi ele quem inaugurou o ‘’Rancho Carnavalesco XV de Novembro’, juntamente com João Altieri e Zé Caninha, em 1954. Décio também chegou a desfilar, anos mais tarde, na Ala da Velha Guarda da Escola de Samba Unidos do Peruche.
Já nos anos 70, a Lapa viu surgir o bloco “A Voz do Morro” no Parque da Lapa, que deu origem à tradicional escola de samba Império Lapeano, em 1974. Bem mais recente, neste século, a criação de outro bloco de rua colocou a região no circuito oficial do Carnaval paulistano. O ‘A Lapa somos nóis’, também fundado por Décio Ferreira e por outro importante líder comunitário da região, José Benedito ‘Boneli’ Morelli, animou, durante vários carnavais, a Rua 12 de Outubro e imediações, reunindo famílias inteiras – jovens, pais, filhos e os mais idosos – em uma confraternização saudável. Depois dele, outros se seguiram, como o ‘Passaram a mão na Pompeia’, que circula pela Rua Ministro Ferreira Alves e imediações.
Com o passar dos anos, o Carnaval na Lapa ainda guarda muito da antiga celebração comunitária, reunindo as famílias do bairro nos blocos e bloquinhos. Mas, agora, também ganhou contornos bem maiores, já que por aqui desfilam hoje muitos megablocos, que arrastam milhões de foliões, de toda a cidade, de outros estados e até de fora do País, às avenidas Marquês de São Vicente, na Barra Funda, e Paulo VI, no Sumaré.
O que mudou, não apenas aqui, mas nos carnavais de rua por todo o Brasil, é que as marchinhas, com sua “picante” inocência, deram lugar a ritmos ecléticos, fazendo da folia uma mistura de axé com funk, pop e, até rock.
É o Carnaval democrático, eclético, com a alegria contagiante de sempre, mas que, no quesito música, agrada a todos os públicos. Como deve ser!






























