Sem coincidências

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Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

 

A desaceleração da indústria em 2025 não é coincidência. O setor já vinha operando sob forte pressão de juros muito elevados, que encarecem o crédito, travam investimentos e comprimem o consumo. Quando isso se soma a impostos altos, insegurança jurídica, custos trabalhistas crescentes e à valorização do câmbio, o ambiente torna-se francamente adverso para quem produz

A produção industrial fechou 2025 com crescimento de apenas 0,6%. Apesar de marcar o terceiro ano consecutivo de expansão — após alta de 3,1% em 2024 e de 0,1% em 2023 —, o resultado escancara a desaceleração. Até junho, o setor acumulava avanço de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a variação foi nula. Mas, entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%.

A indústria é o setor que mais agrega valor, irradia efeitos por todas as cadeias produtivas, gera empregos de qualidade, tecnologia e inovação. Se perde ritmo, a economia como um todo sente. Precisamos de um ambiente mais favorável ao investimento, com juros menores e menos entraves estruturais. A retomada do crescimento passa necessariamente por um chão de fábrica forte

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