Em busca de equilíbrio

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Depois de um período de banimento, os patinetes elétricos de aluguel voltaram às ruas de São Paulo em dezembro de 2024, sob um novo desenho regulatório. O atual modelo, que condiciona a circulação a estações fixas e proíbe o descarte livre nas calçadas, é uma tentativa de corrigir os erros da primeira geração desse serviço na cidade — e merece ser reconhecido como avanço, mas não deve ser tratado como solução definitiva. Até porque, inclusive aqui em nossa região, é muito mais comum do que deveria nos depararmos com patinetes largados em meio às calçadas, atrapalhando a passagem de pedestres.
Do lado positivo, os patinetes cumprem um papel real na mobilidade urbana: resolvem o problema da “última milha” entre estações de metrô ou trem e o destino final, reduzem a dependência de deslocamentos curtos de carro e oferecem uma alternativa mais barata e ágil em uma cidade cronicamente congestionada. Para quem mora ou trabalha longe de linhas de ônibus eficientes, o equipamento pode significar economia de tempo real no dia a dia.
O problema, além da invasão desses veículos nas calçadas, é que os ganhos de mobilidade vêm acompanhados de riscos que a cidade ainda não conseguiu equacionar. Levantamento da Fundação Procon-SP já apontava que 81% dos usuários entrevistados não utilizavam equipamentos de segurança, como capacete. Dados do Infosiga mostram que, apenas entre maio de 2025 e maio de 2026, foram registradas 260 colisões e 78 atropelamentos envolvendo ciclistas e usuários de pequenos veículos elétricos — e relatos técnicos apontam que os acidentes envolvendo patinetes elétricos cresceram quase quatro vezes entre 2023 e 2025. Isso, cabe salientar, não é detalhe estatístico. É sinal de que a fiscalização, por parte da CET e das empresas que disponibilizam o serviço, não acompanhou a expansão do serviço.
A consulta pública aberta pela Prefeitura em 2026 para atualizar as normas de circulação de patinetes, bicicletas elétricas e monociclos é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Faltam, no texto em discussão, obrigações mais claras sobre uso de capacete e campanhas educativas permanentes, além de previsão explícita sobre a circulação em parques municipais — hoje uma lacuna do regramento.
São Paulo não deveria escolher entre banir os patinetes e deixá-los circular sem controle. O caminho é o meio-termo: expandir a frota com responsabilidade, atrelando cada nova estação autorizada a mecanismos reais de fiscalização, e tratando segurança do pedestre e do usuário como pré-condição do serviço, não como reboque de campanha publicitária das operadoras.

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