Ícone renovado

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O Teatro Cacilda Becker, um dos principais equipamentos de cultura de nossa região e um dos poucos na Lapa geridos pelo poder público, garante à população do bairro acesso gratuito à uma programação diversificada, que combina teatro adulto e infantil, além de espetáculos musicais e performáticos. E é essa característica que, há quase 40 anos, torna o Cacilda Becker mais do que um equipamento cultural entre tantos: é política pública sob encargo da Prefeitura de São Paulo. Mantê-lo funcionando plenamente, com verba regular para manutenção predial, curadoria continuada e divulgação que alcance o entorno da Lapa e da Vila Romana, não pode ser tratado como gesto eventual de gestão, mas como compromisso permanente da Secretaria Municipal de Cultura.

É por isso que todos nós, lapeanos, comemoramos agora a reabertura do Cacilda Becker, que durante o primeiro semestre deste ano passou por uma grande reforma para reparar e modernizar sua estrutura.
Num bairro que cresceu entre trilhos e comércio popular, o Teatro Cacilda Becker ainda hoje é o único equipamento cultural municipal dedicado às artes cênicas na Zona Oeste de São Paulo. Inaugurado em 25 de janeiro de 1988, o espaço nasceu para suprir uma lacuna histórica: uma região populosa, cortada por grandes avenidas e linhas de trem, sem uma sala pública de teatro que servisse seus moradores. Quase 40 anos depois, essa função permanece tão urgente quanto no dia da inauguração — e é justamente por isso que o teatro merece total atenção do poder público.
O nome homenageia uma das maiores atrizes da história brasileira. Cacilda Becker, fundadora do lendário Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em 1948, e que encenou 68 peças em 30 anos de carreira, morrendo em 1969.

Essa não foi a única refprma pela qual o teatro passou desde sua inauguração. Em 2009, o teatro passou por uma reforma completa e reabriu com a estreia de “A Ponto Tchekhov”, direção de Fernando Neves, marcando os 40 anos da morte da atriz. Desde então, a casa de cerca de 190 lugares consolidou uma programação plural e, sobretudo, gratuita — modelo raro em uma cidade onde ir ao teatro é, para boa parte da população, artigo de luxo.

Teatros como esse não competem com os grandes palcos da Avenida Paulista ou dos Jardins — cumprem outra função, insubstituível: aproximar a cena de quem, de outra forma, jamais pisaria num teatro. Portanto, defender o Cacilda Becker é defender que cultura de qualidade não seja privilégio de bairros mais centrais.

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