A lei é para todos

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Procure andar pelos bairros da gente deixando de lado a pressa costumeira, que nos faz apenas passar pelos cotidianos cenários sem que percebamos detalhes e matizes de uma arquitetura que se perde, constrói e reconstrói a cada dia.
Note que algo mudou. Seja por conta de uma consciência cidadã ou mesmo por causa do caráter coercitivo da legislação, o fato é que o comércio, de um modo geral, aderiu à Lei Cidade Limpa, iniciativa do prefeito Gilberto Kassab e que conta com o apoio da maioria da população da cidade, incluindo aí, arquitetos consagrados, como o professor da USP, Cândido Malta. Ao comentar os resultados da Cidade Limpa ele responde: “A publicidade exagerada parecia berrar com a cidade e era tanta informação que estávamos todos surdos às mensagens. Depois da lei, percebi que o diálogo já está mais harmonioso. E a bela arquitetura de algumas fachadas, antes escondida pelos anúncios, está vindo à tona.”
De fato, o professor Cândido tem razão. Existem na região várias fachadas que se sobressaem pela beleza e harmonia de estilo. Algumas delas estão sendo recuperadas por proprietários ou mesmo inquilinos, que zelosos por seus imóveis ou pontos comerciais, entendem que vale a pena investir num conceito extremamente subjetivo, mas de grande valor urbanístico e também comercial: a estética como fator que agrega valor a um negócio. Porém, enquanto o comércio investiu na limpeza das fachadas e numa nova identidade visual, o que em muitos casos significou o desembolso de quantias expressivas , há quem insista em passar por cima da Cidade Limpa, ignorando-a por completo, usando e abusando da panfletagem e inundando as esquinas com enormes placas anunciando imóveis ou carros.
Nesse sentido, merece elogio a iniciativa da subprefeita Luiza Eluf que, desde o último final de semana, decretou uma fiscalização sem trégua para coibir esse tipo de ação publicitária, que emporcalha os bairros.
Não é apenas o comércio de porta aberta para as ruas e as empresas de midia exterior que foram enquadrados na nova ordem urbana. A Cidade Limpa é lei que vale para todos, do pequeno armazém às grandes redes do varejo, passando por concessionárias, incorporadoras, construtoras etc. Todos queremos uma São Paulo livre da poluição visual. Portanto, basta de bairros limpos, “ma non troppo”. Que se cumpra a lei, sem privilégios nem desvios.

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