Bairros esperam por política cultural

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Se o assunto é cultura na cidade de São Paulo, a questão não pode fugir à dicotomia entre as ofertas da Secretaria Municipal na região central e aquelas disponíveis nos bairros, via de regra privados de equipamentos e até mesmo propostas de ocupação de espaços públicos como as praças, por exemplo. Para falar sobre essa questão, o Jornal da Gente entrevistou Carlos Augusto Calil , titular da Secretaria Municipal de Cultura. Em seu gabinete, no Edifício Olido, na Avenida São João, ele concedeu uma longa entrevista, que resumimos a seguir.

Centralidade da cultura

“A questão cultural ganha uma dimensão muito grande na cidade. Recebemos, aqui na Secretaria, pressões legítimas por mais equipamentos. Isso é formidável, pois as pessoas se dão conta da importância da cultura. Porém, temos limitação de recursos.Boa parte já comprometida com a recuperação e manutenção dos equipamentos centrais, como o Teatro Municipal e Biblioteca Mário de Andrade. São referenciais nacionais e precisam de cuidados especiais”.

As demandas do bairro

“É preciso que se determine o que fazer, onde fazer e qual o custo da atividade ou equipamento cultural. É essa a função do supervisor de Cultura da subprefeitura, que identifica essas demandas conversa com a comunidade e leva essas informações ao subprefeito. Esse, por sua vez as encaminha para a Secretaria de Cultura. É assim que deveria funcionar. Mas na prática sabemos que as coisas são diferentes. É preciso que a comunidade, de forma organizada, traga ao subprefeito suas reivindicações. É a autoridade que está perto da população, que conhece a realidade local que deveria ser intérprete dessas demandas”.

Espaço Tendal e Poupatempo

“Continuo defendendo que o Tendal seja um espaço para a cultura. Porém, hoje, o prédio pertence ao governo do Estado que fez um acordo com a Prefeitura. O próprio ex-prefeito José Serra confirma que não tinha clareza de que lá funciona um espaço cultural. Ele me disse que se soubesse disso não teria assinado o acordo que cedeu o local ao governo estadual. A idéia de passar as oficinas para o prédio da Rua do Curtume foi abandonada pela Secretaria depois que o prefeito Gilberto Kassab e o governador Cláudio Lembo fecharam um acordo que preservava o Tendal enquanto espaço cultural. Soube pela imprensa que o secretário de Estado da Casa Civil diz que o Popupatemo viria mesmo para a Rua Guaicurus. Para mim, o que está valendo é aquilo que governo estadual e prefeitura selaram anteriormente: ou seja, espaço da Guaicurus é para a Cultura”.

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