Nos trilhos da história

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A Secretaria Municipal de Cultura publicou a Resolução de Abertura de Tombamento (APT) de todo o perímetro das antigas oficinas da São Paulo Railway, na Lapa.  A resolução foi emitida pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) pelo valor histórico das construções das oficinas que são remanescentes da ocupação urbana do final do século XIX que marcou a formação histórica da região da Lapa de Baixo. O conjunto arquitetônico, segue o modelo inglês da época, que tinha a função de apoio ao trabalho ferroviário. 

A história da ferrovia começou quando a companhia inglesa São Paulo Railway chegou ao Brasil impulsionada pela indústria cafeeira e Revolução Industrial.   Assim, a partir de meados do Século XIX, o café começou a tomar o lugar do açúcar como principal produto de exportação do Brasil. Na época, a travessia da serra do planalto à baixada era feita em tropas de centenas de animais, principalmente pela Estrada Velha de Santos e por outros caminhos como a antiga trilha Tupiniquim, que mais tarde serviu de base para o traçado de serra da SPR. A precariedade dos caminhos e o custo do frete muito alto inviabilizavam a atividade. Por isso, foi necessário o estabelecimento de uma via para transposição de pessoas e mercadorias pela Serra do Mar. Foi o Barão de Mauá que convenceu o governo imperial da importância da construção de uma estrada de ferro ligando São Paulo ao Porto de Santos. A obra exigia experiência e Mauá foi atrás do engenheiro ferroviário britânico James Brunlees que criou uma nova empresa: a The São Paulo Railway Company Ltd. (SPR), para a construção da ferrovia.  A São Paulo Railway foi aberta ao tráfego a 16 de fevereiro de 1867.  

De lá pra cá muita coisa mudou, mas as antigas oficinas da Lapa estão preservadas junto com a história de desenvolvimento do bairro que tem ruas com nomes em homenagem a engenheiros e funcionários da companhia inglesa. Seus trilhos ainda servem como separação do bairro da Lapa e de outros como Pirituba, Jaraguá e Perus.  A Lapa é atendido pelas linha 7 e linha 8 da CPTM, ramos da São Paulo Railway e da Estrada de Ferro Sorocabana, que dividem nas regiões norte, Lapa de Baixo, e sul que ao bairro da Lapa. 

O perímetro da Abertura do Pedido de Tombamento para preservação da história inclui a área da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães (1000), próximo a Marginal do Tietê, onde a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e a SPObras desenvolve um projeto para construção da ponte que vai ligar Pirituba a Lapa e que exigirá desapropriação de parte do terreno, justamente, na área que está sob proteção, para alargamento da avenida e passagem do fluxo de veículos da futura obra. 

Se a finalidade é preservar a história, o projeto da ponte que consumiu audiências públicas, debates e reuniões nos dois bairros, corre o risco de ser prejudicado uma vez que as oficinas da ferrovia têm relevante valor histórico tanto para a região quanto para a Cidade, o Estado e o País. 

A aparente  falta de comunicação entre os as duas secretarias municipais pode levar ao descarrilamento nos trilhos e apagar parte da história das antigas oficinas com o projeto da ponte.

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