Animais políticos

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Aristóteles já dizia em suas obras que o homem é um animal político por natureza. E se quando está sozinho se sente incompleto e imperfeito, é na comunidade, na promoção do bem para a polis que ele se realiza. Esse conceito primordial de cidadania faz muito sentido teórico, mas na prática não são poucas as dificuldades que se encontra ao lidar com o Estado. A corrupção, a burocracia e a manipulação contribuem e muito para desgastar a boa-vontade de qualquer cidadão. No panorama nacional e local outro fator negativo é a grande dicotomia existente, onde as pessoas passam mais tempo culpando ou enaltecendo o legado das gestões passadas e pouco discutem ações práticas para o presente.

Alguns acontecimentos recentes incitam essa reflexão sobre o que nós, animais políticos, desejamos para a nossa não tão pequena polis lapeana: o vereador Gilberto Natalini convocou uma reunião para falar da reabertura do Parque Orlando Villas-Bôas, com a presença de Carlos Fernandes, que representa o poder municipal, e membros da Sabesp, empresa envolvida no processo. Todas as partes concordam que a região só tem a ganhar com a reabertura da área verde ao público. Natalini pede a mobilização das pessoas para ocupar, pressionar e assim ter o parque de volta. A mobilização de fato é boa, uma vez que promove o diálogo. Concordar ou não da forma como algo deve ser feito faz parte do jogo político, e com o acompanhamento do povo, sempre é melhor.

A participação popular também foi o motivo da suspensão da audiência pública sobre a revisão da Operação Urbana Consorciada Água Branca. Sem maiores explicações, a Secretaria de Urbanismo e Licenciamento e a SP Urbanismo cancelaram a reunião “a fim de proporcionar a manutenção da qualidade e da apropriada condução do processo participativo de revisão da operação e a plena participação dos interessados”. Mas é fácil prever que uma audiência realizada em uma sexta-feira à noite e divulgada de forma um tanto quanto tímida contaria com um público irrisório. É importante a sociedade acompanhar todo e qualquer recurso que possa trazer melhorias para a região.

Não contestar um projeto em sua fase inicial pode resultar em impactos bem maiores no futuro. Aos animais políticos interessados vale ressaltar que neste sábado (21) a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal discute em uma audiência pública regional, no Tendal da Lapa, a partir das 11h, o orçamento do município para o exercício de 2018. Em tempos de crise, vale a pena invocar nossa natureza cidadã, inerente ao homem como dizia Aristóteles, e acompanhar o destino de alguns bilhões de reais.

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