Evolução

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Na semana em que a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), principal agência de fomento à pesquisa do País, ligada ao Ministério da Educação, anunciou o risco de que o teto de gastos públicos pode inviabilizar o pagamento de bolsas a docentes e alunos de pós-graduação a partir de agosto de 2019, é válida a reflexão de como é difícil o acesso ao conhecimento por aqui.

Isso não acontece somente nos campos da educação e ciência, mas também no da cultura. Em tempos de crise onde mal se paga as contas de casa, quem consegue ir ao cinema com os ingressos custando em média R$ 40? Para atender as necessidades básicas de sobrevivência, a cultura acaba sendo deixada de lado, não por ser menos importante, mas por não poder competir com os boletos da luz, água e alimentação.

Felizmente algumas oportunidades de programas culturais a baixo ou zero custo costumam surgir. Caso dos frequentes espetáculos que acontecem no Teatro Cacilda Becker, sendo que este mês está em cartaz uma peça gratuita do dramaturgo Bernard Shaw. É um grande privilégio poder contar com um trabalho artístico de qualidade no seu bairro, até porque a vida de quem trabalha com cultura também não é fácil, com muita dedicação que nem sempre é acompanhada de reconhecimento financeiro.

Temos também por aqui o Tendal da Lapa, um grande centro cultural, com capacidade para muitas atividades, mas que infelizmente tem sido motivo de atrito entre antigos usuários do espaço e a coordenação. É preciso reconhecer quem há muitos anos desenvolve um trabalho sério e importante, que ajuda no desenvolvimento da população e é no mínimo esperado que, por se tratar de um equipamento de cultura, o diálogo sempre prevaleça no lugar das imposições.

A falta de cultura e educação são o verdadeiro mal enraizado em um povo. Sem essas duas coisas é impossível evoluir como sociedade. Como podem as pessoas quererem debater a liberação do porte de armas se não conseguiram discutir sem violência uma exposição de arte como aconteceu ano passado em Porto Alegre? Precisamos aprender a discordar pacificamente, melhorar nosso senso crítico, saber ler nas entrelinhas, e, em suma, evoluir nossa capacidade intelectual para sermos cidadãos melhores. Mas sem cultura e educação, nunca sairemos do berçário da civilidade.

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