Trânsito e término de obra da ponte preocupam moradores da Lapa

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Foto: Bárbara Dantine

Bárbara Dantine
Audiência realizada no Tendal da Lapa para apresentação do projeto da ponte

Após a realização em agosto de uma audiência em Pirituba sobre o projeto da Ligação Viária Pirituba-Lapa, nesta quinta-feira (5) foi a vez da Lapa receber a apresentação, por iniciativa do vereador Fábio Riva que fez um requerimento junto à Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente. O evento aconteceu no Tendal da Lapa. “Havia uma ponte de madeira que ligava Pirituba à Lapa que foi derrubada quando Prestes Maia era prefeito. Depois disso passaram 19 prefeitos pela cidade e hoje é uma alegria para mim, como filho de Pirituba e morador da Lapa, poder representar esses bairros. Esse projeto vai trazer desenvolvimento e o prefeito Bruno Covas teve coragem de pegar os recursos do Fundurb para essa obra tão importante. A ponte vai começar e tem que terminar”, declarou Fábio Riva.

Enquanto os moradores do bairro vizinho enfrentam grandes congestionamentos para se deslocar em direção ao Centro e cobram há anos a construção da ponte, na Lapa os moradores temem o impacto que a nova ligação irá causar.
Segundo a diretora de planejamento da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, Regina Villela, a ponte Pirituba-Lapa irá dividir o fluxo de veículos, que hoje dependem apenas da Ponte do Piqueri. Também está prevista a duplicação da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, no trecho da Lapa, entre a linha da CPTM e o Rio Tietê.

Trânsito

Na parte das manifestações do público, muitos se mostraram apreensivos com a possibilidade de que o fluxo maior de veículos não seja absorvido pelas ruas de menor porte onde a ponte irá terminar, uma vez que o projeto está previsto para ser realizado em duas etapas: a primeira com a construção da ponte em si, e a segunda com o alargamento de ruas e obras de drenagem.

Outro ponto discutido foi a necessidade de uma alça de acesso à Marginal Tietê. O projeto contempla uma alça para ser usada por quem estiver na marginal e for usar a ponte para acessar a pista no sentido de Pirituba. Os motoristas que saírem de Pirituba e precisarem acessar a marginal no sentido do Centro terão de passar por dentro da Lapa. “Nós revisamos novamente os números do estudo de tráfego, estamos convictos de que a intervenção comporta essa mudança”, garantiu Regina. Moradores e representantes de associações da região cobraram a apresentação dos estudos de trânsito que apontam que a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães comportará um fluxo de aproximadamente mais dois mil veículos por dia.

Também foi questionado se, com o término da construção da ponte, o trânsito já seria liberado ou se a estrutura ficaria interditada até o fim da segunda fase. O vereador Fábio Riva propôs que sejam realizadas novas discussões para tratar especificamente da questão do trânsito.

Patrimônio

Além dos impactos de trânsito, o conselheiro participativo municipal da Lapa e arquiteto Antonio Zagato demonstrou preocupação com o patrimônio histórico e cultural da região, já que será necessário demolir um conjunto arquitetônico onde funcionavam oficinas ferroviárias da São Paulo Railway, espaço que é tombado pelo Condephaat e Conpresp.

A Assampalba, com o apoio das Associações Amocity, Viva Leopoldina, Conseg Lapa e Movimento Defenda SP protocolaram durante a audiência uma petição pedindo esclarecimentos e providências à SIURB referente ao projeto da ponte que, sem alças de saída direta para a Marginal Tietê, poderá causar a degradação ambiental e urbanística no Alto da Lapa e Bela Aliança que também são tombados pelo Conpresp. O documento aponta que “a injustificável falta de alça de saída direta da ponte para a Marginal deverá causar caos no trânsito destes bairros, sendo a própria Vila Anastácio a sua primeira vítima, já sobrecarregada pelo boom imobiliário que ocorre no local”.

Recursos

A questão financeira e política também preocupa os moradores da Lapa, que questionaram os motivos de se gastar milhões em uma via que deverá ficar congestionada, em um panorama em que o governo sempre fala da falta de recursos. Também foram cobradas garantias do fim da obra em 2021, caso o prefeito Bruno Covas não seja reeleito no ano que vem.

O vereador Paulo Frange afirmou que atualmente o Fundurb contém recursos suficientes para a realização de todo o projeto, mas caso o dinheiro não seja liberado existem outros três fundos municipais que poderão ser utilizados. “No caso de uma mudança de governo, se a gente estiver vigilante, se estivermos todos do mesmo lado por São Paulo, nenhum prefeito que assumir a cidade vai interromper uma obra começada e com dinheiro no caixa. São Paulo tem reservas. O Fundurb tem hoje R$ 800 milhões depositados, dá para fazer três pontes como essa”, disse o vereador. Membros do grupo de gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca questionaram a informação e cobraram um maior detalhamento sobre os recursos previstos.

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