Papel da sociedade para preservar córregos é tema de webinar

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Representantes da Sabesp, Prefeitura e Sociedade Civil participam da conversa

Na quinta-feira (18) foi realizado o Webinar Córrego Leopoldina, promovido pela Sabesp, Jornal da Gente e Instituto Limpa Brasil, com participação da Subprefeitura Lapa, Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e Associação Viva Leopoldina (AVL).

O objetivo do encontro foi apresentar o caso de sucesso da despoluição do córrego que tem sua nascente dentro do Pelezão e possui um trecho aberto que pode ser visto na Rua Passo da Pátria, na altura do número 909. Em 2007 a Sabesp iniciou em parceria com a Prefeitura o Programa Córrego Limpo, que com um investimento de mais de R$ 318 milhões permitiu a despoluição de córregos e readequação de redes coletoras de esgoto, resultando na recuperação de 161 córregos na cidade toda e beneficiando diretamente 2,9 milhões de pessoas. Na região, a despoluição do Córrego Leopoldina que tem 3,58 km de extensão e passa pelos bairros da Lapa, Alto da Lapa e Vila Leopoldina, tem um impacto de saúde e qualidade de vida para 52 mil moradores.

Com a realização de varreduras e lavagens preventivas nas redes coletoras de esgoto, sendo que 10 quilômetros foram lavados em 2020, é possível evitar obstruções e identificar vazamentos que entram em contato com o córrego e com as galerias de águas pluviais. Esse trabalho permitiu manter a água limpa, com índice adequado de oxigenação, o que possibilitou a presença de peixes no córrego mesmo em um bairro que passa por grande verticalização como é o caso da Vila Leopoldina.

Para permitir que o ecossistema continue em equilíbrio, além do trabalho realizado pelo poder público, a colaboração da sociedade é fundamental. “Esse tripé entre a sociedade, Prefeitura e Governo de São Paulo é o que sustenta todo o trabalho de preservação dos córregos na cidade”, explicou Roberval Tavares, superintendente da Unidade de Negócio Centro da Sabesp.

Por ser um afluente do Rio Pinheiros, o cuidado com o córrego contribui para o “Novo Rio Pinheiros” que é o conjunto de obras e empreendimentos que tem como objetivo despoluir o rio até dezembro de 2022. Para isso, a Sabesp está investindo R$ 1,7 bilhão para conectar aproximadamente 533 mil imóveis à rede de esgoto, beneficiando uma população de 3,3 milhões de pessoas, além de gerar 4,1 mil empregos nas obras.

O subprefeito da Lapa, Leo Santos, falou da importância de investir em projetos de longo prazo. “Quando o projeto começou em 2007 muitos achavam que não ia dar certo, mas hoje vemos que deu e temos esse resultado. E é assim, de córrego em córrego, de viela sanitária em viela sanitária, que vamos despoluir o Rio Pinheiros. É uma honra poder fazer gestão pública na região em que moro e que amo. A união do governo do Estado, do Município e da Sociedade Civil em projetos como esse demonstra que o ganho leva tempo mas chega. Treze anos se passaram para termos peixes no córrego. Nesse momento em que estamos preocupados com a saúde, com a pandemia, devemos refletir sobre nossas ações e sobre o cuidado que o ser humano deve ter com a natureza, para que passado esse período, e ele vai passar, nós possamos voltar aos espaços públicos com outro olhar. De cuidado e de que aquilo pertence a todos nós”, concluiu o subprefeito.

Já Douglas Formaglio, vice-presidente da ACSP, parabenizou a Sabesp pelo seu reconhecimento mundial no tratamento de água e esgoto, um trabalho que é caro e que depende da manutenção das redes de distribuição, muitas delas antigas, e que mesmo assim garante que a água chegue com qualidade nas residências. Formaglio também falou sobre o papel dos comerciantes em campanhas de conscientização. “Se a Prefeitura não determinar uma verba significativa de manutenção para todas as subprefeituras fica difícil. Da mesma forma, se não tiver educação as pessoas vão continuar sujando as ruas e o lixo vai parar nos nossos rios. A ACSP vai se engajar e realizar campanhas para termos uma cidade cada vez melhor”, declarou.

Para Carlos Alexandre de Oliveira, diretor de relações de governo da AVL, a comunidade deve fazer sua parte para auxiliar. “Vivemos um fenômeno de verticalização na Vila Leopoldina e temos o desafio de destinar o lixo corretamente. Ao invés de apenas cobrar o poder público, podemos fazer algo também. Em um prédio com 224 apartamentos é possível pagar R$ 1600 reais por mês para fazer a coleta e reciclagem, com relatórios da destinação. É um investimento possível já que se produz muito lixo”, afirma o membro da associação de moradores.

O trabalho sobre o descarte correto dos resíduos e a conscientização da população têm sido a missão do Instituto Limpa Brasil, representando no webinar pela diretora executiva Edilainne Muniz, que em 2019 organizou o mutirão Limpa Lapa com dez grupos que percorreram diversos locais da região.

Ubirajara de Oliveira, diretor do Jornal da Gente, falou sobre a importância de ter uma boa iniciativa em um momento em que só temos notícias ruins. “Esse projeto traz alegria e esperança em um momento em que é muito difícil esse sentimento florescer, em função do que está acontecendo no mundo. Vemos a vida renascer. Quando achamos que o poder público e as entidades não fazem nada, a gente se perde. Mas felizmente ainda existe gente séria, envolvida e trabalhando. Temos agora o desafio de conservar essa recuperação, de mantê-la, e todo mundo pode dar sua contribuição. Quando superarmos essa pandemia vamos ver se todo mundo consegue se conscientizar de que a gente precisa manter o mínimo de condições saudáveis para conviver em sociedade”, disse.

Para manter o Córrego Leopoldina limpo é fundamental a população colaborar não jogando lixo na rua, o que prejudica o córrego, os animais que vivem lá e o poder público que precisa mobilizar recursos para realizar a manutenção.

Quem quiser assistir o Webinar Córrego Leopoldina pode acessar o vídeo aqui.

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