Atenção devida

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O clima caótico da política nacional domina todas as discussões. É preocupante pensar como será o próximo ano com as eleições, as crises institucionais, risco de escassez energética e impactos cada vez mais altos no bolso dos cidadãos. Não será fácil.

E ainda vivendo o cenário de exceção causado pela pandemia, muitas discussões importantes foram deixadas de lado. Uma consequência de quando se vive com problemas que há muito tempo deveriam ter sido sanados. Se tivéssemos mais investimentos na saúde e educação, poderíamos ter tido um atendimento mais eficaz aos pacientes de Covid-19 e menor evasão escolar.

É muito fácil fazer um discurso inflamado, falar o que as pessoas que estão diante de você querem ouvir, mas conduzir uma política totalmente diferente nos bastidores. Eu poderia estar falando agora da política nacional, mas na verdade estou falando do mecanismo das audiências públicas. Ao mesmo tempo que esse é um instrumento fundamental para garantir a participação da sociedade em debates e na construção de políticas públicas, muitas vezes parece que quem as conduz o faz apenas pro forma, ou seja, apenas para cumprir o rito estabelecido por lei.

Em alguns casos a população está unida em suas reivindicações, se contrapondo apenas aos gestores públicos. Em outros há divergências de opinião. Esse é o caso do PIU Leopoldina, um dos projetos que segue parado, talvez pela urgência da pandemia ou por ter gerado e porque ainda vai gerar polêmicas.

Ninguém discorda de que há um déficit habitacional na nossa região, não só na Vila Leopoldina, que precisa ser resolvido. Assim como é, ou deveria ser, consenso de que as pessoas que vivem em comunidades estabelecidas tem todo o direito de permanecer no território. Mas quando a iniciativa privada se dispõe a investir em melhorias públicas isso não deve ser visto apenas como uma benfeitoria, uma boa ação, um presente. Há interesse. Os próprios representantes do mercado sempre disseram que “não há almoço grátis”.

E se queremos moradias dignas, equipamentos de saúde, da educação, áreas verdes e desenvolvimento urbano, precisamos saber o quanto isso vai nos “custar”. Também é complicado barganhar pelo que seria o cenário perfeito, inviabilizando por muitos anos algo que precisa ser feito urgentemente. Mas é possível encontrar um caminho do meio, que beneficie o interesse privado e a coletividade do entorno. Não há novidades sobre o projeto, mas quando sua discussão que acontece desde 2016 for retomada, será preciso acompanhar.

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