Injustificável falta de interesse

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Prazos curtos, complexidade dos projetos e limitações orçamentárias são justificativas aceitáveis. O que não é aceitável é a falta de transparência. Essa semana foi divulgada a análise de viabilidade das propostas encaminhadas pela população para serem incluídas no orçamento da cidade em 2022.

A reabertura do Hospital Sorocabana foi a demanda mais votada na região, com 377 votos de apoio. Porém, foi considerada inviável para o exercício do próximo ano. Claro que reformar, adaptar de acordo com as normas técnicas e ter recursos, tanto para a obra quanto para a operacionalização, não são coisas simples de se executar. Mas essa demanda não é recente. A cobrança pela reabertura do único hospital da Lapa com leitos dedicados aos SUS acontece desde o seu fechamento em 2010.

Enquanto isso, segue o discurso de que a Prefeitura nada pode fazer até ser a proprietária da estrutura, com uma promessa de encaminhamento que é discutida desde 2018, sem avanços concretos.

Uma questão de grande interesse público, como é o caso do Sorocabana, não pode ser tratada dessa maneira, sem um prazo, sem clareza sobre o que está sendo feito, sem diálogo. Não ter um cronograma de ações denota desde uma desorganização até a pior hipótese, que é a falta de interesse da gestão em ao menos encaminhar o caso.

Para piorar o avanço, temos a pandemia que virou justificativa para tudo aquilo que não é feito ou postergado. Sem diminuir a gravidade do que foi e está sendo essa crise sanitária, é justamente por estarmos tratando de um equipamento de saúde que a mobilização dos gestores deveria ser maior. Essa pode ter sido a pior epidemia que a nossa geração viveu até agora, mas nada garante que será a última.

Não poderíamos deixar de citar que na próxima terça-feira (12) a Lapa completa 431 anos. A comemoração pode não ser ampla como gostaríamos, mas a data não pode passar em branco. Na impossibilidade de participar dos eventos previstos, cada um de nós, moradores da Lapa, pode fazer sua própria comemoração ao refletir sobre o que mais gostamos aqui e o que queremos ver no futuro. Memórias não faltam, bem como histórias curiosas a cada esquina, em cada sobradinho, em prédios que nos transportam para outras décadas como a União Fraterna, na grande quantidade de praças e áreas verdes, que para alguns são motivo de orgulho e para outros de reclamação pela falta de zeladoria ou manejo, na vida pujante dos centros de abastecimento como o Mercado da Lapa e Ceagesp, nos comércios tradicionais da Rua Doze de Outubro, que leva o nome justamente em menção à fundação do bairro. Não é difícil encontrar 431 motivos para celebrar a Lapa.

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