Inviável, não impossível

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Se votar para escolher a sua padaria favorita é uma tarefa fácil (afinal basta escolher pela qualidade dos produtos ou serviços), elencar prioridades da cidade é uma tarefa muito mais complexa. Por mais de uma vez, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que tem a intenção de transformar a cidade em um “canteiro de obras”. Curiosamente a Prefeitura também sancionou novas normas de ruído para as construções, o que no papel é ótimo, mas resta saber se haverá capacidade de fiscalização.

Quem pretende realizar uma reforma em casa sempre pondera se o transtorno será compensado pela necessidade. Mas voltando ao orçamento, designar o destino de bilhões de reais não se trata apenas de uma questão de custo e benefício.

Em primeiro lugar é preciso separar uma grande fatia dos recursos apenas para manter o funcionamento da máquina, funcionários e estrutura. Feito isso, destina-se o valor para os serviços públicos, seja de zeladoria, educação, saúde ou segurança. Só então é possível considerar o que poderá ser feito na área dos investimentos.

Seria bom se, por investimento, pudéssemos entender como algo a mais, um luxo ou melhoria. Mas no nosso caso, investimento acaba sendo uma forma de aplacar necessidades antigas e urgentes, caso do sempre citado aqui Hospital Sorocabana.
Mais uma vez essa foi a demanda da população mais votada no processo “participativo”, e mais uma vez foi avaliada como inviável. Funcionários de carreira da Prefeitura, que seguem na gestão independentemente de quem estiver no cargo máximo do Executivo, conhecem bem esse pedido. O que há de novo é que, dessa vez, o principal argumento utilizado para justificar a inviabilidade, o fato da estrutura pertencer ao Estado, o que legalmente não permitiria investimentos por parte da Prefeitura, não é mais válido. Segundo Governo e Prefeitura, os trâmites de transferência já foram iniciados.

O que não pode ocorrer é o discurso da aceitação das dificuldades. E isso se aplica a quase todos os equipamentos de saúde. Podemos citar o caso da UBS Vila Anglo, outra demanda do orçamento, que está em um imóvel alugado, inadequado, mas sem previsão de mudança para outro lugar, nem hipótese de reformar o atual. E o que acontece? Nada. Se mantém do jeito que está, até um dia um cenário favorável surgir. Ano após ano, discussão de orçamento após discussão de orçamento.

Sabemos que estamos “saindo” de um momento atípico e que não está sobrando dinheiro em nenhum lugar, para ninguém. Por isso, mais do que nunca, ter visão e gerir bem os recursos, mesmo com o esforço de fazer investimentos ao invés de manter o insustentável, é essencial.

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