Discussão necessária

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O anúncio do leilão do complexo dos Correios localizado na Rua Mergenthaler, na Vila Leopoldina, torna ainda mais relevante a discussão sobre o futuro urbanístico da região, hoje uma das mais cobiçadas da cidade e que vem passando por um forte adensamento imobiliário.

Com apenas 5,6 quilômetros quadrados de área, o Distrito Leopoldina abriga, de acordo com o último censo do IBGE, uma população de 46.875 habitantes, o que resulta em uma densidade demográfica de, aproximadamente, 8.370 habitantes por quilômetro quadrado – número já alto e que só cresce a cada ano.

Em um rápido passeio pela região, salta aos olhos a quantidade absurda de novos empreendimentos imobiliários que sobem por ali, a maioria deles em terrenos enormes, que comportam um número de unidades também absurdo. Um desses empreendimentos, localizado na Rua Carlos Weber, chega a ter sete torres e quase dois mil apartamentos. Com um detalhe relevante do ponto de vista urbanístico: sem nenhuma garagem! Ou seja, quem for morar lá e tiver carro, ou vende seu veículo ou passará a disputar as vagas já congestionadas das ruas da Leopoldina na esperança de conseguir parar seus carros.

Some-se a isso o considerável aumento do número de pessoas que vêm trabalhar no bairro – já que também crescem a olhos vistos os complexos empresariais na região – e a perspectiva é de um aumento no caos urbano, sem que haja contrapartida de investimento em infraestrutura para acomodar toda essa rápida transformação.

Por tudo isso, a perspectiva de uma nova ocupação para o prédio dos Correios preocupa. E muito! Com 20.718 m² de área construída, o complexo da Mergenthaler é descrito no próprio texto oficial de divulgação do leilão, como de grande potencial para operações logísticas e industriais, dada sua localização privilegiada. Até aí, não mudaria muito em relação ao que já existe hoje.

Mas o texto abre uma outra possibilidade quando destaca que, “localizado em uma região em constante transformação urbana, o terreno também amplia as possibilidades para futuros empreendimentos residenciais e de uso misto”. Isto abre um precedente para o qual não é possível, ainda, calcular os impactos no adensamento da região.

Como moradores, temos que acompanhar de perto o desenrolar desse leilão e promover o diálogo para que a nova ocupação do complexo, se de fato vier a ocorrer, gere o mínimo de impacto na infraestrutura urbana da nossa Leopoldina.

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