Mesmo com a forte ocupação imobiliária que está trazendo condomínios clube para a Leopoldina, os baixos do Viaduto Mofarrej, hoje vizinho a vários desses luxuosos empreendimentos, ainda é um ponto crítico na paisagem do bairro, permanecendo como um local de invasão irregular. Para resolver a questão e, de quebra, trazer maior sustentabilidade para a região, a Subprefeitura Lapa anunciou, em 2020, a inauguração de um Ecoponto embaixo desse viaduto. Passados quase seis anos, o equipamento ainda não foi instalado, já que permanece sem conclusão um processo aberto para reintegração de posse da área.
O objetivo dos ecopontos é serem equipamentos para receber grandes volumes de material descartado, como móveis, colchões e entulho de obras, além de restos de podas de árvores e recicláveis em geral. Cada ecoponto funciona diariamente, inclusive aos domingos e feriados, e o munícipe pode descartar gratuitamente até 1 m³ de entulho.
O investimento da Prefeitura nesse tipo de solução ecológica tem sido bastante significativo. Vinte e dois anos depois de inaugurar sua primeira unidade — o Ecoponto Bresser, instalado em outubro de 2003 nos baixos do viaduto de mesmo nome, no Brás —, São Paulo consolidou uma rede que hoje conta com 126 ecopontos espalhados por todas as regiões da cidade. Somente em 2024, os ecopontos receberam mais de 315 mil toneladas de resíduos, número que já superava 360 mil toneladas em 2025. São cifras expressivas, mas que também revelam o tamanho do desafio: uma metrópole de 12 milhões de habitantes produz lixo em escala industrial, e qualquer lacuna na rede vira descarte irregular na esquina mais próxima.
A Leopoldina, com a demora em contar com um ecoponto, sem dúvida representa um desses desafios. Mesmo que, na área da Subprefeitura Lapa, já contamos com dois equipamentos do tipo: o Ecoponto Viaduto Antártica, inaugurado em outubro de 2012, e o Ecoponto Vila Jaguara, aberto em abril de 2013. Juntas, as duas unidades receberam 5,8 mil toneladas de resíduos apenas entre janeiro e julho de um único ano. Um volume que demonstra tanto a adesão da população quanto a necessidade de ampliar a oferta na região.
O impacto positivo da rede, onde ela existe, é inegável. Em 2016 havia 4 mil pontos viciados de descarte na cidade; hoje são cerca de 1,2 mil — uma redução de 70%. Eis aí, portanto, a importância de os moradores da Leopoldina, entre os quais eu me incluo, lutarem pela rápida liberação dos baixos do Viaduto Mofarrej e pelo início do funcionamento do nosso ecoponto.






























