Chuvas fortes tem sido sinônimo de transtornos, que às vezes se transformam em tragédias, para grande parte de nós, lapeanos. Por morarmos em uma região com muitos córregos, sofremos constantemente a fúria das grandes enchentes, que alagam casas e empresas, destroem veículos e derrubam centenas de árvores.
Como forma de dar uma solução mais definitiva e baseada na natureza para a questão das enchentes, a Prefeitura, desde 2017, tem investido na elaboração dos Cadernos de Drenagem das bacias hidrográficas da cidade. Esses documentos técnicos reúnem diagnósticos detalhados dos córregos da cidade e propõem alternativas de intervenção para reduzir os pontos críticos de inundação, sendo, hoje, a espinha dorsal do planejamento hidráulico municipal.
Segundo dados da Prefeitura, São Paulo já soma, atualmente, 37 Cadernos de Drenagem, com levantamentos que cobrem 57% da área urbana da cidade.
Na região da Lapa, esse movimento ganha contornos concretos. A subprefeitura está no centro de dois processos recentes: a consulta pública para o Caderno de Drenagem Anhanguera/Pacaembu/Luz, aberta em junho deste ano e que também abrange a Sé, e o caderno da bacia dos Córregos Cintra e Pirituba, elaborado em 2025 para as subprefeituras Lapa e Pirituba-Jaraguá. São bacias historicamente castigadas por enchentes, e o simples fato de finalmente existir um diagnóstico técnico público sobre elas já representa ganho de transparência para moradores e para o debate urbano local.
Esta semana, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB), seguindo as diretrizes técnicas estabelecidas no Caderno Bacia Vila Leopoldina, homologou licitação para a contratação dos estudos e projetos de infraestrutura que abrangem intervenções nos Córregos Leopoldina e do Cemitério da Lapa, além de um dique para impedir o refluxo das águas do Rio Pinheiros sobre o bairro em períodos de cheia.
O resultado prático desse investimento na região, até agora, é positivo, embora haja alguns “embates” entre poder público e a sociedade em casos como o do projeto dos piscinões para as bacias dos córregos Água Preta e Sumaré, nas praças Rio dos Campos e São Crispim. Contrário à ideia, o CADES Lapa alertou que as obras poderiam custar dezenas de árvores adultas e reduzir a drenagem natural do solo.
A Prefeitura claramente acerta ao dar publicidade e continuidade a esse processo. Mas a iniciativa precisa vir acompanhado de cronograma de execução e de diálogo real com a população afetada — sob pena de os cadernos de drenagem virarem apenas um exercício de planejamento sem efeito prático sobre a vida de quem convive com a água na porta de casa.



























