Um caso de etarismo

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Fran Winandy, especialista em Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

 

Queremos viver mais, mas não queremos ver a velhice. O exemplo disso acaba de acontecer na região da Lapa, Moradores vizinhos a uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) instalaram caixas de som direcionadas para a casa de repouso, tocando rock pesado em alto volume para perturbar os residentes. Em vídeo, uma moradora resume o sentimento: “As pessoas não querem a nossa rua cheia de casa de repouso, entendeu? Isso faz nossos imóveis desvalorizarem.”

O que isso mostra? Que queremos que a longevidade exista, desde que seja invisível. Desde que fique bem longe dos nossos olhos, da estética das nossas ruas e do valor do nosso metro quadrado.

O desfecho do caso acima? A gestão municipal cedeu à pressão e expulsou as casas de repouso da região.
O problema é que quando o poder público legitima esse tipo de pressão sob o manto da “gestão urbana”, ele não está organizando a cidade. Ele está institucionalizando o etarismo. Estamos segregando as pessoas longevas, empurrando-as para a periferia social e física, como se o envelhecimento fosse uma patologia urbana a ser erradicada.
A ironia trágica desse comportamento é que a mesma vizinhança que hoje expulsa uma ILPI é a que amanhã precisará de uma. Ao desumanizarmos o envelhecimento alheio hoje, pavimentamos o caminho para a nossa própria exclusão amanhã.
Uma cidade que trata seus cidadãos mais velhos como “prejuízo imobiliário” é uma cidade que faliu moralmente.

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