Gemidos de indignação

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A mídia deu destaque, esta semana, a uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo e Portal UOL que deixou muitos de nós, lapeanos, indignados (para não dizer enojados e revoltados!). A reportagem mostrou um movimento, liderado por um grupo de moradores da Rua Tomé de Souza, no Alto da Lapa, e por um membro da Assampalba (Associação de Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança), exigindo o fechamento dos lares de longa permanência para idosos que existem no bairro.
A alegação principal para o grupo questionar o funcionamento desse tipo de estabelecimento na área é fundamentada no fato de que a Lei Municipal N° 16.402/2016 e o Decreto N° 57.378/2016 proíbem o exercício da atividade em zonas estritamente residenciais – como é o caso de várias vias no Alto da Lapa. Mas essa alegação acabou ficando em segundo plano diante do destaque dado pela reportagem aos depoimentos de cunho etarista e de cenas mostrando atitudes exaltadas por parte de alguns integrantes desse grupo.
Frases como “não somos obrigados a aguentar a gemeção desses idosos” ou a atitude de um morador, que colocou uma caixa de som com música alta fora de sua janela para incomodar os vizinhos do lar de velhinhos ao lado, revoltou boa parte da opinião pública, não só da Lapa, mas da cidade toda. E, com certeza, fez com que o grupo perdesse a razão e a voz.
Se as instituições de longa permanência, pela lei, não podem funcionar em Z1, áreas da cidade onde predominam casas amplas, com jardim e quintal, que podem mais facilmente, depois de adaptadas, atender às necessidades dos idosos, proporcionando a eles mais conforto e uma estadia digna, é preciso que a legislação pertinente ao zoneamento seja revista. E urgentemente!
Há, pelo menos, duas brechas para levarmos essa discussão adiante. Uma delas é que, de acordo com o próprio poder público, esses estabelecimentos são considerados de baixo impacto. De fato, andando pela Rua Tomé de Souza na tarde da última quarta-feira, 28, o silêncio pairava no ar. Nenhum gemido pôde ser ouvido de dentro das casas de repouso e lares de idosos.
A outra brecha está no próprio estatuto do idoso, que garante a essa parcela da população uma vida bem amparada. Para isso, a estrutura dos lares que acolhem a terceira idade quando a família não pode deve ser adequada. E essas casas, reforço, estão localizadas nas áreas residenciais.
Para além dessa discussão, cabe ainda uma reflexão: aqueles que se incomodam com a ‘gemeção’ de um idoso devem lembrar que o tempo passa e, logo mais, a idade avançará para eles também.

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