São Paulo já soma cerca de 215 parklets instalados em suas ruas, sendo 74 apenas em 2025 — um salto expressivo que confirma o interesse dos moradores e o apetite dos comerciantes por essas pequenas extensões de calçada erguidas sobre antigas vagas de carro. O modelo, regulamentado desde 2014, promete algo raro na maior metrópole do país: um pedaço de espaço público pensado para pessoas, não para veículos. Mas o crescimento acelerado também expõe um problema antigo da gestão urbana paulistana — a distância entre a regra no papel e a fiscalização na prática.
Os méritos dos parklets são difíceis de contestar. Eles devolvem à cidade um uso mais democrático do solo viário, criam bancos, sombra e convivência onde antes só havia asfalto e carros parados. Estudos citados pela própria Prefeitura, como o “Measuring the Street” do Departamento de Transportes de Nova York, indicam aumento de até 14% nas vendas do comércio instalado ao lado de parklets com bancos — um argumento econômico que ajuda a explicar por que cada vez mais lojistas correm atrás da autorização municipal. Para pedestres, ciclistas e para quem simplesmente quer sentar-se sem consumir nada, o ganho é imediato: mais banco, menos carro.
O outro lado da moeda, porém, é conhecido de quem caminha pelas calçadas da capital – e principalmente nas calçadas da nossa região. Nem todo parklet nasce dentro da lei, e nem todo parklet legal continua sendo, de fato, público. O decreto municipal 55.045/14 é explícito ao proibir que o mantenedor use o espaço com exclusividade — vedando, por exemplo, que vire extensão de mesas de bar —, sob pena de multa. Na prática, é comum encontrar parklets ocupados só por clientes do estabelecimento ao lado, funcionando como terraço privado disfarçado de bem comum.
Por isso mesmo, pelo menos aqui na área da Subprefeitura Lapa, a fiscalização está ocorrendo de forma contínua. Esta semana, por exemplo, uma equipe da Sub Lapa desmontou mais um parklet instalado na Rua Brentano, quase esquina com a Rua Nanuque. Além do funcionamento irregular, o espaço praticamente inviabilizava a passagem de pedestres pelo trecho, incomodando mais do que servindo para o lazer dos moradores que costumam passar por ali.
Os parklets são, sem dúvida, um avanço na forma como São Paulo pensa suas ruas. Mas política pública boa não se mede só pela quantidade instalada — mede-se também pela capacidade de garantir que a regra valha para todos, e que o cidadão saiba, com transparência, o que a Prefeitura está de fato fiscalizando.





























