Joni Matos Incheglu, professor do curso de Engenharia Civil da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC)
O super El Niño, fenômeno previsto para acontecer até setembro, traz um grande desafio para as cidades e deve ser enfrentado com a importante contribuição da engenharia, capaz de torná-las mais preparadas e resilientes para o que está por vir. A mesma cidade que sofre com enchentes repentinas, meses depois, vive crise hídrica, o que demanda projetá-las para enfrentar os dois extremos ao mesmo tempo, com respostas bem estruturadas da engenharia. A drenagem sustentável, a recuperação da permeabilidade do solo urbano e reservatórios com uso duplo caminham nessa direção.
Na geotecnia, é essencial termos contenções bem dimensionadas, drenagem profunda e estabilização de encostas, apoiadas em investigação de subsolo adequada. Na drenagem urbana, a chamada infraestrutura verde-azul, com pavimentos permeáveis, jardins de chuva, telhados verdes e reservatórios de amortecimento; em vez de expulsar a água o mais rápido possível, retê-la e infiltrá-la. A terceira frente é a do monitoramento e da informação, com sensores e instrumentação de encostas e estruturas, gêmeos digitais e o uso de BIM no planejamento, que permitem antecipar problemas em vez de remediá-los.
Colocar esse aparato no centro do planejamento das cidades, e não apenas na resposta ao desastre, é a decisão mais importante que podemos tomar diante do que vem pela frentei.






























