Conflitos e soluções

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EDUARDO FIORA

Jaguaré, Leopoldina e Lapa vivem dias agitados e até mesmo tensos, nesse mês de agosto, que coloca a Zona Oeste em destaque no noticiário cotidiano da cidade. Seqüestros relâmpagos e furtos de veículos mobilizam a comunidade do Jaguaré, que recebeu do capitão Fernando Demetrio de Oliveira (5ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana) a promessa de um novo esquema de policiamento nas ruas Irede Alonso de Matos, Nilo Gomes Dias e Fausto Gerner, locais de grande incidência desses tipos de crime. Nossa reportagem irá conferir se, desta vez as reivindicações dos moradores, serão, de fato atendidas.
Na Leopoldina, o Parque Villa-Lobos atravessou a semana com um imenso vazio junto ao portão de entrada, com a retirada das barracas de alimentação e de aluguel de bicicletas, até que um processo de licitação seja encaminhado e concluído pelo governo estadual até o mês de outubro. Os comerciantes, sem violência, protestaram juntamente com os vendedores da feirinha de cães e gatos, removidos do bolsão de estacionamento em frente ao parque. A licitação, segundo a administração do Villa-lobos, permitirá a instalação de um comércio ambulante (alimentos e bicicletas) regularmente inscrito e capaz de oferecer aos usuários do parque serviços com higiene e segurança.
Mas é no coração da Lapa, exatamente na Rua Doze de Outubro e imediações, que o clima de insatisfação gera maiores tensões, com a decisão da Subprefeitura da Lapa de reurbanizar a área, transferindo, temporariamente os ambulantes para outros locais nas proximidades. Conversamos com a subprefeitura, lojistas e camelôs, que continuam falando línguas diferentes, num claro sinal de que, infelizmente, a via do dialogo será, mais uma vez substituída pela via do confronto, uma vez que os ambulantes prometem resistir à remoção.
Nesse episódio, repete-se o cenário vivido na semana passada no Brás, onde PMs e ambulantes entraram em conflito, protagonizando lamentáveis cenas de violência. Por esse caminho, dificilmente a Lapa encontrará a solução para uma questão que a cada ano se agrava um pouco mais. A deterioração do espaço público se acentua, tornando vitais as propostas de intervenção por parte do poder público. Somente o diálogo e o bom senso podem garantir que lojistas e ambulantes coexistam pacificamente e atendam, de maneira ordenada e legal, a população paulistana que freqüenta diariamente esse importante centro de comércio popular de São Paulo.

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