Imagens paulistanas

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EDUARDO FIORA

No estúdio que montou em sua casa no Parque Continental, onde mora desde 1970, o veterano fotógrafo José Pinto, 75 anos, guarda lembranças de um trabalho desenvolvido numa época de ouro do jornalismo brasileiro (anos 50, 60 e70), ao lado de grandes nomes da imprensa nacional como Samuel Weiner (Jornal Última Hora) e Mino Carta (Jornal da Tarde e Veja).
Mas ao receber a reportagem do Jornal da Gente para um bate-papo sobre sua experiência profissional, Zé Pinto, como é carinhosamente conhecido, fez questão de iniciar a entrevista mostrando aquilo que mais lhe dá prazer nessa sua atual vida de repórter fotográfico aposentado: imagens da natureza paulistana.
De imediato, nos conta uma história que lhe abriu a perspectiva da publicação de um livro em parceria com seu filho Iuri Moraes: Natureza Cidade. “Em 1993, uma árvore no interior do Colégio Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, foi notícia durante um bom tempo. Seu tronco e suas raízes começaram a avançar sobre as grades que cercavam a escola, esculpindo um desenho naturalmente triste e cheio de dor e que também arrebentava o concreto da calçada. O gradil de ferro esmagava a velha e frondosa árvore, que passou viver em cárcere privado”, relata Zé Pinto. “Captei essa agonia até o fim, quando a prefeitura decidiu limpar a paisagem. Ficaram as grades, perdemos uma árvore”. No entanto, São Paulo, a partir desse episódio, ganhou um livro de belas imagens.


Momentos marcantes

Duas Copas do Mundo (78 e 90); incêndio no Joelma (1974); a incrível aventura dos irmãos Villas-Bôas entre os índios no Planalto Central; o primeiro grande desastre aéreo em solo brasileiro (a queda de um avião President na selva amazônica em 1952); um plantão de 25 dias e 25 noites em alto mar só para flagrar a frota russa que pescava ilegalmente em águas brasileiras, num momento em que o Brasil reivindicava a extensão de seu mar territorial para 200 milhas. Essas são algumas das alegres e tristes lembranças que Zé Pinto guarda na memória e em seu arquivo fotográfico. “Somente três jornalistas conseguiram vencer a selva e chegar até os destroços do avião norte-americano na serra de Tamanacu, no Pará. Um deles fui eu, quando ainda jovem trabalhava para jornais de Belém, cidade onde nasci”.
Perguntado sobre coberturas de posses presidenciais, Zé Pinto abre um apaixonado sorriso em preto e branco. “Fiz várias. Todas na Zona Leste, registrando a troca de comando no meu Corinthians, desde os tempos de Wadih Hellu”.

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