Miopia dos burocratas

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É bem-vinda a iniciativa de setores da comunidade que querem criar uma ONG voltada para o desenvolvimento econômico e social dos bairros da Sub Lapa.
Já é hora de nos posicionarmos concretamente junto aos governos (União, Estado e Município) e Poderes Legislativos, de modo a encaminharmos uma agenda mínima de projetos e ações que façam frente às profundas transformações que ocorrem no cenário urbano local.
É preciso que encontremos caminhos e ferramentas, que nos levem a superar situações constrangedoras como ouvir de um secretário municipal que não há razão de pleitearmos um hospital público regional pois estamos bem servidos pelo HC. Temos de buscar uma sólida articulação que seja capaz de reverter discursos de burocratas que mal conhecem os bairros da gente e que prometem obras de infra-estrutura em tempos inaceitáveis como metrô para 2020 e transposição de trilhos somente em 2015.
Há de se perguntar: a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) está realmente falando sério ao sinalizar com obras tão distantes na linha do tempo, quando sabemos que a interligação das duas linhas férreas da Lapa é algo que já deveria ter sido concretizado se, de fato, o transporte público fosse prioridade?
Será que a Secretaria de Transportes Metropolitanos conhece, em profundidade, o nosso tecido urbano regional? Ao que tudo indica, os senhores que se debruçam em mapas nada sabem sobre as transformações que já ocorrem em áreas como Vila Romana, Vila Leopoldina, região da Francisco Matarazzo e entorno da Marquês de São Vicente. Essa mesma burocracia ignora que o mercado imobiliário vê no Jaguaré forte nicho de crescimento vertical. Os burocratas dos transportes também dão as costas ao provável crescimento da Vila Anastácio e Parque São Domingos após a conclusão do novo sistema viário da Ponte Anhangüera em 2010. Se fossem cientes de tudo isso não nos ofenderiam ao proporem linhas do metrô em 2020 ou ainda negarem a necessidade de a Lapa de Baixo ser contemplada como uma estação (Santa Marina) na recente linha aprovada que vai para Freguesia do Ó.
A criação de uma ONG que discuta o desenvolvimento econômico, levando em conta a ligação direta que existe entre crescimento urbano e justiça social, tem, sim, de ser tocada adiante. O Jornal da Gente se engaja nesse movimento colocando-se à disposição de seus articuladores como canal de comunicação para a difusão do debates em torno dessa importante iniciativa.

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