Moradores e entidades questionam projeto de ponte que liga Pirituba à Lapa

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Foto: Bárbara Dantine

Bárbara Dantine
Público critica a execução do projeto sem uma alça de acesso para a marginal

Os distritos da Lapa e Pirituba receberam durante a semana audiências públicas da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e da SPObras para a discussão do Licenciamento Ambiental e Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto da ponte que vai ligar os bairros. A obra que faz parte da Operação Urbana Água Branca, prevê que a ligação viária terá início na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, passando  por cima do rio Tietê até chegar na Rua John Harrison.

O encontro realizado no Centro Cultural Tendal da Lapa, na segunda-feira (25) contou com a participação de 170 pessoas, entre moradores dos dois bairros, representantes de associações e vereadores. À frente da discussão esteve Carlos Fernandes, prefeito regional da Lapa, Ivan Renato, prefeito regional de Pirituba/Jaraguá, José Manuguerra, coordenador geral do Cades (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), Roberto de Moraes Moura, superintendente de projetos da SPObras, e Guilherme Castanho, representante da consultoria Ambiente Brasil, responsável pela elaboração do estudo de impacto ambiental.

Roberto Moura falou sobre os aspectos de engenharia do projeto e os benefícios esperados como, por exemplo, a redução de 15 minutos no trajeto dos ônibus. “O projeto terá passeio, ciclovia, via expressa de ônibus e via normal, com ajustes nas ruas Dom João V, John Harrison e chegada pela Rua Gago Coutinho”, diz. Guilherme Castanho explicou sobre a influência nos meios físico, biótico e socioeconômico. A previsão é que para a execução do projeto seja necessária a retirada de 510 árvores, sendo 6 exemplares de Pau-Brasil. Serão necessárias também 25 desapropriações totais e 22 parciais. “O estudo atende uma antiga demanda da população e restabelece a conexão dos dois bairros, com um melhor acesso de Pirituba ao Centro, redução de carros na Ponte do Piqueri e minimização dos alagamentos”, declara.

Com a abertura para a manifestação dos presentes, boa parte do público se mostrou apreensivo com o projeto e criticou a forma como a obra será feita. Fernando Mourão, presidente da Amocity, trouxe o manifesto de 26 associações da Lapa e Pirituba que acreditam que a obra não apresenta uma boa aplicação dos recursos públicos. O presidente do Conseg Leopoldina, Jairo Glikson, afirma que o projeto não corresponde às necessidades dos bairros. “Ninguém é contra a ponte de Pirituba, só queremos um projeto condizente com a realidade. É inaceitável fazer só porque atende o interesse político de meia dúzia”, diz.  Jose Garcia Souza, do Conselho Participativo Municipal de Pirituba/Jaraguá falou da importância de incluir uma alça de acesso direto à marginal Tietê. “A qualidade de vida de quem precisa atravessar o rio é desumana, mas a ponte sem alça é um problema do projeto. Nós queremos que esse projeto traga mobilidade, ficamos presos por não ter alternativa”, afirma.

José Eduardo de Souza relata que os moradores da Vila Anastácio não querem o fluxo de carros passando pelo bairro para chegar à marginal, e cita que as casas da região são antigas e o impacto seria muito grande. Foi notável também a presença de muitos proprietários de apartamentos dos novos empreendimentos da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, preocupados por terem comprado seus imóveis motivados pela tranquilidade e arborização do bairro, e que agora teriam essas características colocadas em risco com a ponte, além da possibilidade de desvalorização dos imóveis. A secretarias devem realizar novas audiências e prestar esclarecimentos sobre as manifestações do público. Quando iniciada a obra, a previsão é que o trabalho seja executado entre 24 e 36 meses.

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