Esther Góes atua e dirige peça sobre o pós-guerra

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Foto: Bárbara Dantine

Bárbara Dantine
Atriz Esther Góes fala ao JG sobre a montagem do trabalho de Heiner Müller

Em cartaz no Teatro Cacilda Becker a peça “A Estrada de Wolokolamsk” retrata em cinco histórias fatos ocorridos na Segunda Guerra Mundial, assim como a decadência do regime socialista da Alemanha Oriental. O texto criado pelo renomado dramaturgo alemão Heiner Müller (1929-1995) foi inspirado na obra homônima do russo Alexander Bek, em referência ao caminho que os tanques faziam de Moscou a Berlim e vice-versa.

O espetáculo combina acontecimentos reais e imaginários, permeados por um sentimento de melancolia do que Müller considera um “autodrama”. Nos atos são abordadas questões como a burocracia, a deserção na guerra e a ruptura entre as gerações que culminou na implosão do sistema.

Esther Góes e seu filho Ariel Borghi dirigem e atuam na peça. A montagem se desenvolveu após um profundo mergulho dos artistas na obra teatral de Heiner Müller. “Não é para obter um mero resultado rápido cênico, mais uma coisa para ser aprovada, é ir muito longe com o teatro e fazer com ele o que a gente acha que o teatro devia fazer o tempo todo”, declara Esther Góes em entrevista exclusiva ao Jornal da Gente.

Em “A Estrada de Wolokolamsk” todas as personagens são masculinas e Esther afirma que o seu interesse pelo drama humano vai além do gênero. “Eu tenho muita curiosidade sobre o que fazer com as personagens em geral, e também ter que ficar bonita, essas obrigações são muito cansativas e superadas. Quando vi essas personagens, meu interesse estava além. Não era determinado pelas circunstâncias específicas das personagens, mas sim a situação humana dessa criatura que interessava e me estimulava muito ter que construir esse personagem que está tão distante de mim”, afirma.

Esther Góes já fez diversos trabalhos para a TV, e atualmente dá vida a Leocádia na novela Belaventura da Rede Record. Apesar de gostar dos papéis que fez para a TV, a atriz explica como o teatro oferece maior liberdade. “É muito difícil ter um texto como esse (“A Estrada de Wolokolamsk”) na TV, por isso me apego cada vez mais à possibilidade do teatro, de estar sempre se reinventando, ousando, ser audacioso, enquanto que em uma novela ou série tem muito a ver com o entretenimento de uma grande quantidade de pessoas, é muito mais relativo, não pode construir universos tão específicos. Entretenimento é algo que faço também com muita alegria, gosto de interpretar”, declara. Entre seus próximos trabalhos está o de interpretar Risoleta Neves no filme sobre os últimos dias de Tancredo Neves.

“A Estrada de Wolokolamsk” fica em cartaz até o dia 29 deste mês, as sextas e sábados, às 21h, e domingos às 19h. Os ingressos custam R$ 20. O Teatro Cacilda Becker fica na Rua Tito, 295.

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