Transformação e qualidade

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São muitos os fatores que devem ser considerados ao mensurar a qualidade de vida em um local. Para citar algumas que são assunto nas matérias desta edição do JG temos a sensação de segurança, a manutenção e zeladoria dos espaços públicos, a inclusão social e a desobstrução das calçadas. As disposições previstas na Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, mais conhecida como Lei de Zoneamento, também são fundamentais para a promoção do bem-estar na vida da população. Quem vive em imóveis ao lado de estabelecimentos comerciais que causam perturbação do sossego, sem áreas verdes, sem incidência do sol, entre tantas outras situações que o diga!

Planejar o espaço urbano em uma cidade como São Paulo, já bastante desenvolvida, é algo bem complexo, seja para lidar com as questões pontuais ou de grande escala. Ninguém discorda dos benefícios de ter uma rua arborizada, a menos que a falta de poda e manutenção leve esse exemplar a danificar a rede elétrica e as vias públicas. De forma semelhante, no que diz respeito às novas construções, dificilmente alguém se posicionará contra um empreendimento que irá gerar modernização e aquecer o mercado imobiliário, desde que para tanto essa edificação não prejudique a qualidade de vida dos moradores do entorno.

Na audiência pública regional realizada nesta semana, com o objetivo de apresentar as alterações propostas para a Lei de Zoneamento e acolher as sugestões e críticas da população, ficou claro que a transformação de uma cidade não pode ser feita de forma unilateral. Os moradores devem participar e ter suas demandas atendidas, afinal, são eles que vão viver diariamente com as consequências das mudanças que acontecem no bairro.

É inquestionável o papel das audiências como mecanismo de diálogo entre a sociedade civil e o governo, mas elas não podem ser utilizadas apenas como um protocolo de participação, onde se fala que os pedidos serão considerados e, ao final do processo, os interesses de apenas um segmento prevalece. E no caso específico do zoneamento, o projeto passará pela Câmara Municipal, que pode prorrogar o debate por um longo período. Tão longo ao ponto de se aproximarem as eleições do legislativo, o que pode influenciar e muito nos votos dos parlamentares. É certo que parte deles irá se posicionar de forma muito mais política do que técnica.

Que a população se manifeste contra tudo aquilo que não deseja para sua cidade e bairro. A hora de se mobilizar para ter sua voz ouvida é agora. É fundamental acompanhar as publicações, estudar a proposta, promover debates e achar um caminho possível e adequado para todos. É mais fácil lutar pela manutenção de uma praça com sua fauna, flora e até mesmo nascentes, do que demolir um prédio já construído.

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