Transformações bruscas

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A Prefeitura de São Paulo está elaborando vários Projetos de Intervenção Urbana (PIU) para a cidade. Na Sub Lapa, o Vila Leopoldina-Villa Lobos (VLVL) e o Arco Pinheiros (ACP).
O VLVL está em discussão pública há quase dois anos, com reivindicações e avanços (e ainda algumas lacunas). Já o ACP anda em ritmo acelerado: apresentação da proposta em abril e pretensão de envio à Câmara já em junho.

Porém, o Arco Pinheiros afeta muito mais pessoas: cerca de 46 mil moradores e 90 mil trabalhadores. Boa parte destes é vinculada à Ceagesp, que pode ser transferida a quilômetros dali. Além de empregos, o histórico entreposto garante hortifrutigranjeiros e plantas com melhores preços para consumidores e comerciantes.

Na reunião do CPM Lapa na última quinta-feira, a SP Urbanismo foi muito questionada: qual o impacto da mudança nos custos finais de produtos e nos permissionários? Por que as intervenções não são fixadas em ordem de prioridades? Assim, qual a garantia, para quem há décadas vive em moradias precárias ou auxílio aluguel, de que as habitações serão entregues antes de viadutos e avenidas?

Um projeto dessa complexidade não pode ser tocado nesse ritmo. Há sérios riscos de um cheque em branco à gestão de plantão, com prejuízos à fiscalização do PIU, além de não atender às maiores prioridades da região. Assim, mais uma vez, o grande beneficiário será o de sempre: o mercado imobiliário.

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