Subprefeito afirma que Lapa está preparada para receber blocos de qualquer tamanho

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Foto: Reprodução Facebook

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Bloco Eduardo e Mônica na Avenida Paulo VI

O carnaval de rua teve problemas em diversos locais da cidade, com a ocorrência de sete pessoas baleadas, brigas com facas, arrastões e três mortes. Na Lapa, os eventos foram realizados com bastante tranquilidade.

Segundo o subprefeito da Lapa, Leo Santos, o bom resultado se deu pela aproximação dos agentes públicos e organizadores dos blocos. “Essa união foi fundamental. A gente, como subprefeitura, não podia se dar ao luxo de não participar desse processo e só cuidar da varrição e dos ambulantes. Essa participação na organização deu certo, tanto é que enquanto outros locais tiveram morte, briga e facada, no nosso teve nascimento”, afirma Leo Santos, em referência ao episódio do desfile do Bloco KondZilla, no domingo (1º), onde uma jovem de 17 anos entrou em trabalho de parto e teve o bebê na ambulância com apoio das equipes de emergência que estavam no local para atender os foliões.

Para Leo Santos o trabalho em conjunto deveria ser aplicado em todas as esferas da sociedade. “Estamos entrando na era da responsabilidade compartilhada. No caso dos blocos, são eventos públicos da cidade e para a cidade, então a responsabilidade é de todos, independente do que está escrito no decreto. Não podemos ter aquela mentalidade de que certa parte ‘não é problema meu’ e entender que os problemas são de todos. Da mesma forma, não é porque a praça do lado de fora da minha casa, que é pública, não é de ninguém. Ela é de todos. Se eu puder ajudar, cortar a grama para diminuir o gasto da prefeitura e com isso o dinheiro público puder ser usado em outras coisas, por que não fazer? A cidade é de todos”, afirma Leo Santos.

Segurança
O esquema de segurança nos megablocos teve grande atuação por parte da Polícia. “Tinha revista na entrada e na saída dos blocos na Marquês. Além do efetivo contratado pela SP Turis, participaram da fiscalização a minha equipe do ‘rapa’ e os policiais. Ao final do bloco encontrei um celular no chão, que pode ter sido perdido ou furtado, e nesse caso quem furtou deixou no chão porque sabia que iria ser revistado. Consegui entrar em contato com o dono e devolver o aparelho”, relata o subprefeito. Outro fator que contribuiu para a segurança foi adiantar os horários dos blocos para que terminassem mais cedo.

Serviços
No caso da Marquês de São Vicente, a entrada de foliões se deu apenas pelas duas extremidades da avenida, o que reduziu o impacto dentro do bairro. Foram colocados balões infláveis para indicar a localização de banheiros químicos, postos de serviços e auxiliar o deslocamento de foliões dentro do bloco. Uma novidade deste ano foi o teste com opções de alimentação. “Conseguimos aprovação com a Secretaria de Cultura para fazer um teste com barracas de comida, uma forma de evitar que as pessoas fiquem apenas bebendo e passem mal. Foi um ganho. Tivemos barracas de pastel com feirantes cadastrados no programa Tô Legal! ou que já têm TPU para comércio em feiras, e alguns food trucks também”, afirma Leo Santos. Outro fator fundamental para a organização foi a implementação do corredor de serviços. “Em 2019 não existia o corredor em nenhum circuito e ele foi um pedido do 4º BPM/M. A SP Turis e os organizadores relutaram no início por diminuir a pista, o que poderia deixar os foliões apertados, mas a gente bateu o pé e acertamos. Ao final do carnaval a ideia foi elogiada e esse ano já tentaram adotar o corredor em outros circuitos”, explica Leo Santos.

Incluindo os dias de evento do pré, pós e durante o carnaval na Lapa, foram coletadas 67,8 toneladas de resíduos, trabalharam 237 agentes de limpeza por dia com 26 veículos, foram utilizados 276 mil litros de água de reuso, 2295 litros de desinfetante, 110 cestos aramados, 9 papeleiras, 23 PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), 52 contêineres de materiais descartados em média por dia e 141 lacres de produtos apreendidos, com dez equipes de oito agentes cada pela região.

Cultura
Passado o carnaval, a subprefeitura retoma o projeto de tornar a Lapa um distrito cultural, com um selo que será utilizado para identificar os locais de eventos e lazer. “Essa é uma vocação da Lapa. O rock paulistano nasceu na Pompeia, o skate de rua nasceu em Perdizes, no ano passado, no aniversário da Frida Kahlo, foram grafitadas mil imagens da Frida pelo mundo e no Brasil foram 22, todas aqui na Lapa, feitas por mulheres. Queremos valorizar essa cultura que nasce aqui”, explica Leo Santos.

Uma das ações em andamento é a reforma da Viela Ema Ângelo Murari. “A viela vai ser um boulevard cultural, com rodas de conversa, de samba e eventos. Acredito muito na ocupação dos espaços públicos e tenho mostrado isso, com cada vez mais pessoas na rua, ocupando de forma organizada praças e vielas. É para isso que lutamos”, finaliza Leo Santos.

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