Diário da Quarentena 3

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Neste momento o conceito de comunidade é fundamental. É para um bem maior que estamos em nossas casas. É compreensível que em um cenário de calamidade, por exemplo uma guerra ou desastre natural, nosso instinto seja o de proteger a nós mesmos e as pessoas que nos são queridas. No caso de uma pandemia, que também é uma calamidade, a catástrofe pode ser de certa forma manejada. E é isso que todos estão tentando fazer: adaptar a vida durante esse período que ninguém sabe o quanto vai durar.

Com isso, não podemos pensar somente em nós mesmos, estocar produtos e garantir apenas a nossa segurança. É muito grave saber que profissionais que atuam na linha de frente do combate a uma doença de contágio fácil não tenham o material necessário para reduzir as chances de contaminação.

Os fabricantes também não estavam preparados para essa explosão de demanda. Qualquer negócio se baseia em uma fórmula que equilibre os gastos e o faturamento, tentando gerar lucro e não criar grandes estoques. Em condições normais isso costuma funcionar, mas não estamos em uma agora. É válido rever nossos hábitos de consumo, porque para muitos que vão lidar com o desemprego, com o fechamento ou inviabilização de seu negócio, “apertar os cintos” não vai ser algo opcional.

Vemos medidas comunitárias sendo tomadas: a Prefeitura facilitou o acesso ao crédito para pequenos e micro empreendedores. A rede Bom Prato ampliou o seu atendimento, garantindo que exista alimentação para pessoas em situação de vulnerabilidade. O Rotary Alto da Lapa se mobilizou para confeccionar máscaras para a Coordenadoria Regional de Saúde Oeste. Uma professora de canto tem realizado shows semanais para seus vizinhos na Vila Ipojuca. Educadores do Museu do Futebol, fechado desde o início da quarentena, vão conversar com idosos, público de maior risco do novo coronavírus, que estão sofrendo com a solidão do isolamento social.

Na verdade, sofrendo todos estamos. É difícil manter a saúde emocional sem saber quando as coisas vão voltar ao normal. E por normal não quero dizer a retomada dos almoços em família, o futebol de quarta e domingo, o bar com os amigos. Essas coisas também, mas por normalidade quero dizer o momento em que poderemos sair desse estado de alerta e apreensão constante. Todos querem sua vida de volta e uma economia minimamente funcional, onde seja possível ao menos tentar garantir seu sustento e não onde os mais ricos e os poderosos conglomerados tenham uma vantagem imbatível sobre os demais. Nossa união física deve ser evitada agora, mas devemos ter um forte espírito comunitário para lidar com o que ainda está por vir.

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