Diário da Quarentena 6

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Nem todos compartilham o mesmo sentimento, mas existe aquele “cansaço” das férias. A menos que a gente esteja viajando ou dedicados a algum projeto, passar um longo período parados cansa e desejamos voltar às nossas atividades.

Essas férias forçadas que vivemos por um motivo maior já cansaram e o clima de retomada já se manifesta. Não que o perigo da Covid-19 esteja resolvido, longe disso, mas a vida precisa voltar de alguma forma para que o ano todo não seja perdido. Se isso ainda for possível.

As férias também acabam para os estudantes das escolas estaduais na segunda-feira, com aulas no formato de EaD (Ensino à Distância). Existe uma longa lista de vantagens e desvantagens do EaD, mas no momento essa foi a solução encontrada para garantir alguma educação aos alunos que infelizmente vivem em um país que não valoriza a educação e os professores da forma que deveria.

É difícil não comparar o que estamos vivendo com uma distopia, como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, onde pessoas passam horas olhando para suas telas de conteúdo, sobretudo entretenimento, e tomam remédios para moderar seu humor. Ao menos ninguém está queimando livros, como era a função dos bombeiros na obra de ficção, que precisavam destruir o conhecimento, considerado subversivo.

Por falar em bombeiros, nosso posto da Lapa celebrou 60 anos essa semana, com uma baixa nas ocorrências por conta do isolamento social e certa tranquilidade.

Quem não está nada tranquilo é o comércio, que dia após dia vê quedas ou ausência de faturamento. Alguns bares e restaurantes da região já anunciaram que não conseguem voltar às atividades após a quarentena acabar, o que é muito triste porque implica em perda de empregos. Como comunidade deveríamos ter a preocupação de manter nossos pequenos comércios funcionando, contribuir com doações ou comprar os serviços e produtos, mesmo que de forma antecipada para consumir futuramente.

Que tudo isso que estamos passando, em primeiro lugar, passe logo, para tentar reduzir o impacto inevitável para muitas pessoas, em especial aquelas com renda menor. Mas que como consequência a sociedade passe por uma transformação. Cada um pode ter suas preferências ideológicas sobre qual a melhor forma de gerir o país, estado, cidade ou bairro, e pode se identificar com o partido X ou Y, mas no final, todos vamos conviver e dependemos uns dos outros. Para que essa corrente que é a sociedade continuar sendo funcional, não podemos deixar os elos mais fracos se partirem.

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