Solidariedade

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Se tudo está bem, algumas pessoas ficam anestesiadas em relação aos problemas que estão inclusive até próximos delas. Claro que existem aqueles que têm uma natureza altruísta e sempre que podem tentam ajudar os outros. Mas agora vivemos um período em que as coisas não estão nada bem, e ser solidário, da forma que for possível, é necessário.

A solidariedade foi o tema da semana. Por bem e por mal. O conflito entre interesse imobiliário e moradores não é incomum na região. A Justiça tenta regular a sociedade com o entendimento de quais decisões são as mais adequadas para determinada situação. E por contar com um olhar humano, amparado na lei, quem decide deveria sempre considerar as consequências do que irá causar. Uma construtora comprou imóveis na Rua Venâncio Aires. Ela tem direito sobre aqueles terrenos. Porém, famílias que foram prejudicadas pela pandemia e que vivem lá há muitos anos podem não ter onde morar muito em breve. Foi pedida a prorrogação do prazo de desocupação, para dar mais tempo para essas famílias organizarem sua saída, mas a decisão judicial foi pela reintegração de posse. Tivemos que repensar nossa forma de viver e trabalhar nos últimos meses, tivemos que nos adaptar. Por que uma grande construtora também não pode readequar os prazos de entrega do seu empreendimento para ser solidária com as pessoas que estão em um momento de dificuldade?

Também precisamos ser solidários com todos que serão afetados com a volta às aulas presenciais. A essa altura, é difícil acreditar que seja possível ter algum rendimento educacional. Com a quantidade de mortes em decorrência da Covid-19 na cidade, que segundo os últimos levantamentos foram mais frequentes na população mais pobre, muitos estudantes perderam pessoas queridas. Como se concentrar nos estudos se a preocupação de não se contaminar nem levar o vírus para casa permanece? Precisamos de um planejamento que considere o impacto emocional e a estrutura que temos para que o retorno às escolas faça sentido.

Por fim, o caso mais comentado da semana. Com muita simpatia e dedicação ao ofício, Seu Pedroso conquistou não só moradores daqui, mas de outros bairros e até países. Muitos se sentiram emocionados com o vídeo que circulou na internet e quiseram ajudar o senhor que tinha vendido somente seis camisas em quatro meses. Com a repercussão, o estoque esgotou e ele terá muito trabalho pelas próximas semanas. Mais do que adquirir um produto por sua funcionalidade, quem comprar a camisa está adquirindo sua parte em uma história bem bonita, onde a solidariedade reinou. Que outros “Seus Pedrosos” também sejam ajudados e que possamos nos mobilizar dessa forma sempre.

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