Morte e volta da vida

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Por aqui o Dia de Finados é mais um momento de reflexão, de luto e memória do que uma celebração, como acontece no Día de los Muertos mexicano. Curiosamente foi no feriado dessa semana que tivemos a redução das restrições para quem quisesse visitar os túmulos de entes queridos. E muitas pessoas não estão mais aqui por causa da pandemia.
O luto é necessário, embora nem sempre o vazio que fica seja plenamente curado, mas é somente passando por ele que podemos ao menos cicatrizar e caminhar ao que podemos chamar de “normalidade”.

Mesmo quem não teve uma pessoa próxima que foi vítima da Covid-19, acredito que o sentimento de luto é coletivo, para todos nós. Luto pelo tempo perdido. Por mais que já seja possível ver pessoas nas ruas, em bares, restaurantes e eventos, paira ainda uma sensação de estranheza. Há quem já pareça plenamente confortável e outros que não abrem mão de suas máscaras e outros rituais de segurança sanitária. Hábitos que não seria nada mal incorporar definitivamente.

Se a vida retorna aos poucos, as obrigações não param nunca. A sociedade civil conseguiu recentemente a vitória de adiar a discussão do Plano Diretor, mas o orçamento não é algo que podemos postergar. Assim como fazemos com o nosso dinheiro, é preciso planejamento para organizar a previsão dos gastos públicos (também com um dinheiro que é nosso). A Lapa foi contemplada com um aporte pouco maior que o deste ano, mas o valor definitivo devemos conhecer na próxima semana.

Outra discussão importante desta breve semana foi a aprovação da nova lei de manejo arbóreo, que ainda deverá ser sancionada pelo prefeito. Problemas com pedidos de podas e remoções sempre figuraram entre as demandas recebidas pelo Jornal da Gente, o que não deixa de ser um privilégio, já que significa que vivemos em uma área com qualidade ambiental. Alguns problemas são melhores do que outros.

E por falar em problemas, a discussão sobre o PIU Leopoldina segue despertando questionamentos. Ainda não temos uma data para a realização da nova audiência pública, que deverá ser bastante agitada. Quem cobra habitação de interesse social tem razão e quem questiona os benefícios privados também. Um caminho do meio deverá ser encontrado. A professora da FAU-USP Raquel Rolnik escreveu um artigo recentemente onde questiona se o debate prioritário neste momento deveria ser o de aumentar a área construída na cidade, porque a pandemia escancarou as dificuldades que já tínhamos em relação à saúde, mobilidade e à desigualdade. A reconstrução será longa, mas já começou.

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