De bom e mau humor

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Eduardo Fiora

Andar pelo bairro onde moro me traz um misto de prazer e irritação. E ouso dizer: por essa mesma sensação passa a grande maioria dos amigos leitores deste Jornal da Gente. Ao sair de casa para uma caminhada, já de cara fico chateado ao deparar-me com a caótica calçada em frente ao próprio prédio onde moro. Coisa feia, mal cuidada, a exemplo do calçamento de quase toda a região. Está certo que a responsabilidade por esse tipo de equipamento cabe ao próprio proprietário do imóvel. Mas não dá para negar que as sucessivas administrações da nossa cidade não foram capazes de encaminhar um plano básico de reestruturação do passeio público. O subprefeito da Lapa, Paulo Magalhães Bressan, diz que na gestão Serra, esse desconfortável cenário tem seus dias contados. Tomara que isso, de fato, aconteça. Assim, a partir de 2006, eu poderia caminhar por calçadas esteticamente simpáticas e funcionalmente adequadas, algo que proprietários de imóveis e síndicos de edifícios terão de assimilar, compulsoriamente.
Mas voltemos à minha caminhada pelo bairro. Deixo de lado a insatisfação em relação às calçadas e abro um largo e prazeroso sorriso ao dizer olá, mesmo que de passagem, aos amigos da banca de jornal, da barbearia, da padaria, da locadora de vídeo. Nesse gesto amigo, cotidianamente repetido, eu me dou conta que pertenço, de fato, a uma comunidade.
Sigo, sempre a pé, em direção à Ceagesp. O bom humor cai por terra. Será que a comunidade merece ruas assim tão esburacadas? Pagamos impostos para receber isso em troca? E mais. Vejo lixo por todos os lados: nas ruas, nas calçadas. E haja IPTU, ISS…
Olho à minha direita. E o que encontro? Uma comunidade ignorada pelo poder público seja ele conservador, de esquerda, ou neoliberal. Uma comunidade, que mesmo pagando pesados impostos e contribuições diretas ou indiretas , tem sido condenada à exclusão social, já que lhes são negadas, insistentemente- gestão após gestão – condições básicas de habitação, saúde etc..
Os políticos gostam de dizer que em quatro anos não se muda uma realidade. Acontece, que há décadas essa e outras comunidades paulistanas e brasileiras desconhecem o que é, de fato, cidadania. Ou será que no seu entorno, caro leitor, as coisas são diferentes? Penso que não.
No pendular movimento do meu estado de espírito, olho para além da torre da Ceagesp. O sol de primavera começa a cair. A beleza desse instante aquieta uma alma leopoldinense. A perspectiva da chegada da noite me anima. Aperto o passo para chegar em casa. É bom demais ouvir: “papaizinho, quer brincar comigo?”

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