Retomar o espírito coletivo

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Estamos divididos. A animosidade política só se torna mais forte. Estamos apreensivos com tudo que está acontecendo. Tensos com o número de mortes cada vez maior. Inseguros com a instabilidade que impede o desenvolvimento de atividades econômicas. Se está difícil manter, o que dizer sobre investir então? E a sensação geral é de impotência quando tudo que podemos fazer é nos isolar e esperar a nossa vez da vacina. Nesse momento, nada é mais urgente do que retomar o espírito comunitário, aquele visto quando moradores e entidades se unem para um bem maior e comum. Agir pela coletividade é imprescindível. Precisamos fazer com que sejamos ouvidos.

Muitas pessoas e movimentos já encabeçam um pleito para adiar a discussão sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade, previsto em lei para ser discutido esse ano. Um objeto de estudo muito importante e igualmente complexo. A Prefeitura afirma que irá conduzir o processo com participação social, mas sabemos que na prática o desafio é muito maior. Da mesma forma que não conseguimos garantir o acesso integral ao ensino remoto, dificilmente o debate sobre o plano que estabelece as diretrizes que impactam a cidade teria a qualidade que lhe é devida.

E se de um lado temos as dificuldades técnicas de reunir um grande grupo de pessoas virtualmente, do outro não podemos ignorar o fato de que estamos desgastados psicologicamente. Literalmente exaustos.

O PDE vigente foi amplamente discutido antes da sua aprovação e incorporou instrumentos que garantem a qualidade urbanística que devemos manter na cidade. Estamos em estado de alerta, vivendo uma guerra invisível, e embora discutir o futuro da cidade seja muito importante, temos outras questões urgentes para lidar, essas sim que não podem esperar.

Um estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional aponta que no final de 2020 mais da metade da população brasileira, 116 milhões de pessoas, conviveram com algum grau de insegurança alimentar. Isso significa que mesmo que a situação não seja a mais grave, da fome propriamente dita, metade da população não está conseguindo adquirir os nutrientes básicos para a manutenção de uma boa saúde. Basta ir ao mercado e fazer uma compra semanal para entender o porquê.

Já existe quem faça, aqui na nossa região, um trabalho muito bonito para ajudar quem está em situação de vulnerabilidade. Está na hora de somar a esse movimento. Se todos contribuírem, com o mínimo que for possível, o resultado poderá fazer uma grande diferença. Que a Lapa seja exemplo do que é ser uma comunidade engajada.

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