Transparência e diálogo

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Se você não se desconectou do noticiário nacional, sabe que o principal assunto do momento é a CPI da Covid. A crise ainda não passou e não conseguimos prever todos os desdobramentos, mas essa investigação é sim necessária. Enquanto outros países que já avançaram na vacinação começam a ter mais liberdade, nós precisamos manter a vigilância, torcer para que não faltem insumos que podem atrasar ainda mais o calendário vacinal e tentar acompanhar o que foi feito de errado, seja por omissão, fraude, desvio, corrupção ou politicagem.

Em todas as esferas, municipal, estadual e federal, muitas decisões foram tomadas no olho do furacão. Cada decisão foi uma aposta, por não sabermos plenamente o certo, o errado ou como proceder. E algumas ações foram criminosas mesmo. Não teremos recursos, nem condições de avaliar tudo o que foi feito de errado durante estado declarado de calamidade, dispensando ritos como as licitações. Essa burocracia pública da qual tanto reclamamos existe por alguns motivos, entre eles evitar o mau uso do dinheiro público, dinheiro que é de todos nós.

Ao vermos casos como o gigantesco hospital de campanha do Anhembi, ou mesmo o do Pacaembu, essas estruturas foram montadas e desmontadas seguindo uma estratégia do momento, afinal não sabíamos que iria acontecer uma segunda onda tão grave como a que ocorreu no início deste ano. Talvez tivesse sido melhor ter deixado tudo montado. Talvez fosse melhor não ter montado nunca e usar o alto investimento para criar leitos definitivos, reabrir hospitais como o Sorocabana, enfim, outras possibilidades.

A transparência é fundamental para que haja uma boa gestão e para que as pessoas possam acompanhar. Veículos da imprensa tiveram que se unir em um consórcio para acompanhar os números de casos de Covid, porque as informações oficiais não estavam sendo entregues de forma confiável.

Nada justifica não haver uma boa comunicação entre poder público, empresas e população. Na região vemos o caso do Hospital Cotoxó, que é um equipamento desejado, mas as justificativas para o atraso da entrega são bastante variadas cada vez que isso é questionado. Temos também o caso da Sabesp, que tem um projeto muito bom do ponto de vista ambiental, mas que não foi explicado à comunidade que deveria ser chamada para a conversa.

Nada feito de forma unilateral será justo, alguém terá vantagens e o outro lado será prejudicado. Para evitar essa situação, informações são fundamentais. Esse diálogo é o que proporciona a tomada de boas decisões. Não se trata de escolher um lado, criticar ou elogiar, estamos falando de participar, que deve ser sempre o alicerce da nossa sociedade.

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