Frio incomum em época atípica

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Se desde o ano passado a expectativa era de que em 2021 a vida pudesse voltar a ser mais próxima do normal, não é isso que temos visto. O momento segue atípico com direito até a neve em algumas regiões. O frio anunciado pela previsão se confirmou e mobilizou a Prefeitura e entidades da sociedade civil para proteger as pessoas em situação de vulnerabilidade. Foi montada uma tenda próxima ao Terminal Lapa para a entrega de cobertores, alimentos e disponibilizados ônibus para levar as pessoas que aceitaram o acolhimento aos equipamentos de assistência social.

A presença da população em situação de rua na região é um tema sensível e muito discutido. Se de um lado temos pessoas e entidades solidárias que se empenham para fornecer itens básicos e refeições o ano todo, não faltam moradores que se incomodam com problemas de zeladoria, como o descarte incorreto das embalagens das marmitas, e a ocupação de áreas públicas. A verdadeira preocupação que deveria ser de todos é a necessidade de reduzir a desigualdade, ao invés de sempre empenhar esforços de forma emergencial.

O que vivemos no último ano não foi normal, mas a perenidade dos problemas sociais na cidade são. As filas nas UBS de pessoas elegíveis para se vacinar não são o normal. As filas em igrejas para receber refeições ou a fila da habitação onde famílias esperam durante anos para conseguir uma moradia digna, isso quando conseguem, essas sim são filas normais.

Não deveria ser tão difícil construir políticas públicas para sanar os recorrentes problemas sociais. Que a considerável vulnerabilidade seja a exceção em uma cidade que não para de crescer, onde prédios de alto padrão sobem por toda a parte. Se o Terminal Lapa foi um dos pontos escolhidos para a distribuição de doações nessa semana, na próxima será palco da coleta de contribuições sobre a revisão do plano diretor da cidade, algo que também merece nossa atenção.

Outro tema de destaque é que o Governo anunciou a data que muitos de nós esperávamos. Em 17 de agosto, se as tendências de transmissão do vírus forem mantidas, estabelecimentos poderão voltar a receber o público com 100% da sua capacidade, limitações de horário menos restritas, mas ainda com protocolos sanitários de segurança.

Só o tempo irá dizer se a vida vai voltar plenamente ao normal. Para muitas pessoas os novos hábitos serão mantidos, do home office à preferência por compras virtuais de mercado. Está provado que somos resilientes, capazes de nos adaptar às mais adversas condições. Para viver em uma cidade melhor e mais justa precisamos nos adaptar, ou melhor, criar o definitivo hábito de participar e planejar. Não apenas em emergências.

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