Novas lideranças

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A Lapa sempre foi conhecida por ser muito atuante e politizada. É o que me relatam os “lapeanos raiz” que conheci. Uma política como instrumento de transformação, não partidária embora cada pessoa tenha suas preferências e algumas atuem junto a partidos. Isso garantiu, desde sempre, conquistas comunitárias muito importantes. Já os políticos eleitos relatam o quão difícil é a Lapa. Tem muitas demandas e mesmo quando atendidas nem sempre geram votos.

Entre os muitos prejuízos da pandemia, está a desmobilização das entidades representativas. Não é possível generalizar, porque existe ainda quem faça essa atuação de interesse público, de forma voluntária individual ou coletiva. Mas é evidente que grandes lideranças, como tivemos no passado, são necessárias.

Eu lembro das reuniões do Conselho Municipal Participativo (CPM) da Lapa que lotavam o auditório da subprefeitura. Não só com a presença dos conselheiros, mas de moradores interessados também. Nos últimos encontros, realizados de forma virtual, apenas poucos mantiveram seu compromisso de representar o bairro em que moram ou trabalham.
Se a tecnologia existe como forma de facilitar a nossa vida, nem sempre é fácil garantir a participação. Os links das reuniões não são amplamente divulgados e muitas pessoas ainda têm dificuldade de acesso ou de conexão.

Também vemos o que parece ser uma atitude evasiva de quem deveria ser o mais transparente possível. A Prefeitura divulga agendas públicas dos gestores na noite anterior ao evento. Quem quer acompanhar precisa estar constantemente conectado para não perder nada.

Essas dificuldades impostas a quem tem o papel de fiscalizar e informar, como os veículos de imprensa, é preocupante. Lembro da primeira visita oficial do prefeito Ricardo Nunes à região. Ele foi acompanhar uma ação de zeladoria na Praça Coronel Cipriano de Morais. Membros de coletivos aproveitaram a ocasião para espalhar cartazes pedindo a reabertura do Hospital Sorocabana. O prefeito aceitou conversar com poucos representantes, dentro da garagem de um imóvel, sem a presença de todos que estavam ali ou da imprensa. Ao falar com os participantes dessa reunião privativa, eles disseram que a resposta do prefeito foi que a gestão municipal estava atenta à questão e iria se empenhar para resolver. Por que não falar isso a todos os presentes?

É preocupante essa construção da realidade criada nas redes sociais, que documentam visitas sob a ótica de quem publica as fotos ou vídeos. É muito fácil fazer um recorte apenas do que interessa. Por isso que garantir a participação social e ter novas lideranças atuantes é tão fundamental.

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