Esculturas de Ana Kesselring estão na Casa de Cultura do Parque

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Foto: Divulgação

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Esculturas em cerâmica evocam ideia de corpo expandido

No próximo sábado, 4/5, a Casa de Cultura do Parque inaugura a exposição individual da artista visual Ana Kesselring. Apresentada no espaço externo da Casa, a exposição Arqueologias do Vivente evoca a ideia de corpo expandido. Trata-se de um conjunto de esculturas de cerâmicas, com formas que remetem à anatomia de entranhas, e reflete a pesquisa da artista sobre a interdependência dos corpos no mundo, ainda que não apenas humanos, mas também vegetal e mineral – corpos viventes.

“As colunas cerâmicas de Ana Kesselring ressoam vestígios de antigas civilizações”, escreve Ana Avelar no texto crítico da exposição. “Como lembranças de uma sociedade – ficcional ou não –, são empilhamentos de fragmentos fatiados, nos quais formas de seios encontram corais e conchas. São camadas que misturam tempos históricos e narrativas míticas. Dado o tratamento das peças, resulta um aspecto visual, por vezes, semelhante àquele decorrente da oxidação; por vezes, ao efeito de fungos, que costumam revestir de tempo objetos esquecidos. Lisos e rugosos; ásperos, opacos e brilhantes. Relevos acompanham as colunas, seguindo os mesmos procedimentos de fatiar e empilhar. Tais tridimensionais, pela tatilidade visual, tocam a experiência do corpo.” A mostra será exibida até o dia 11/8.

No dia 4/5, às 15h, a Casa recebe o artista visual Maurício Adinolfi para o lançamento do catálogo do projeto CARONTE – Monte Cabrão, com texto de Priscyla Gomes, e exibição do vídeo homônimo. Produzido no canal de Bertioga, em Monte Cabrão, no litoral de São Paulo, o projeto discorre sobre o ambiente em que se centra a pesquisa de Adinolfi – o da construção naval e comunidades litorâneas – e dialoga com Kesselring por imaginar uma outra forma à experiência de tudo que é vivo. O vídeo de 5 minutos fica em exibição até domingo, 5/5.

Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro de Hades que adentra o rio para confrontar uma nova existência. Ele é o início e o fim de um ciclo, o limiar do inesperado, que também é a síntese da obra proposta por Adinolfi: num gesto que articula diferentes agentes, o artista suspende uma embarcação por meio de um guindaste em meio a uma temporada de chuvas incessantes. A carcaça desse barco verte a força das águas devolvidas ao rio, num fluxo constante de jorro e vida. Ao emergir das águas e conectar-se a elas pelos seus fluxos, o barco congrega força e leveza, imponência e delicadeza, e recebe um dado de humanidade.

A Casa de Cultura do Parque fica na Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 – Alto de Pinheiros e funciona de quarta a domingo e feriados, das 11h às 18h, com entrada gratuita.

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