O crime e o câncer

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Gilberto Natalini, médico, ex-vereador e ex-secretário municipal de Mudanças Climáticas de São Paulo

Sou cirurgião há quase 50 anos, e como tal já operei cerca de 17 mil pessoas, sendo muitos desses, pacientes com tumores malignos. Quando você vai intervir num caso assim é preciso todo um preparo anterior, como um diagnóstico precoce, a escolha detalhada da técnica cirúrgica empregada, a maior radicalidade da operação com o menor impacto sobre o organismo do doente.

O crime organizado no Brasil – o tráfico de drogas, de armas, de pessoas, as milícias, o jogo ilegal, as quadrilhas de corrupção, públicas e privadas, o contrabando, as quadrilhas ambientais e as gangues de “Fake News” – é uma instituição estabelecida, profundamente enraizada e infiltrada no país. É como um tumor maligno, que nasceu e se desenvolve no corpo da Nação.

Não temos uma política nacional de combate ao crime organizado, e nem uma política nacional de segurança pública. As ações do poder público contra o crime organizado no Brasil têm se revelado um fiasco. Seja por incompetência, seja por conivência. Só um Governo respeitado e corajoso pode liderar um mutirão cívico, que mobilize a população para que, dentro dos limites da Democracia e respeitando os direitos dos cidadãos, possa separar esse tumor maligno da criminalidade do tecido social brasileiro, seguindo o exemplo de como nós cirurgiões fazemos para tentar salvar nossos pacientes.

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